A Liga RJ, entidade que representa as 15 escolas de samba da Série Ouro
do Carnaval do Rio de Janeiro, realizou um ato público na tarde desta
quinta-feira (22/01), na Cidade Nova, e encaminhou um extenso ofício à
Riotur solicitando providências urgentes para garantir a legalidade, a
isonomia e o bom andamento do Carnaval 2026.
Em frente à sede do órgão, as agremiações reforçaram que confiam, apoiam
e respeitam institucionalmente da Riotur, acreditando no diálogo e na
capacidade do órgão de mediar conflitos e assegurar que o Carnaval,
patrimônio cultural imaterial da cidade e do país, não seja prejudicado
por disputas políticas, interesses privados ou decisões unilaterais.
No documento, a Liga RJ relata uma série de dificuldades enfrentadas
pelas escolas da Série Ouro, especialmente em razão de entraves impostos
pela Liesa, entidade privada que administra o Grupo Especial. Entre os
principais pontos levantados estão:
Impedimentos ao credenciamento de escolas, profissionais e equipes de
apoio para o Carnaval 2026, comprometendo o planejamento das
agremiações;
Restrição de acesso ao Sambódromo para dirigentes e sambistas, enquanto
pessoas sem vínculo institucional recebem credenciais;
Denúncias públicas de perseguição, intimidação e retaliações
institucionais, incluindo relatos feitos por dirigentes da escola Unidos
do Porto da Pedra;
Tratamento desigual no uso do Sambódromo, com exploração comercial de
camarotes, publicidade, patrocínios e ativações durante os dias da Série
Ouro sem qualquer repasse financeiro às escolas responsáveis pelo
espetáculo;
Exclusividade comercial abusiva, como a imposição de uma única marca de
cerveja e a prática de “venda casada” nos camarotes, o que impede a
livre concorrência e retira fontes de receita das agremiações;
Negativa injustificada de acesso a camarotes para algumas agremiações,
mesmo quando dispostas a arcar com os custos;
Falta de garantias para ensaios técnicos, que sofreram entraves e
restrições, prejudicando a preparação das escolas e suas comunidades.
A Liga RJ também questiona cláusulas do contrato vigente entre a Riotur
e a Liesa, apontando possível violação aos princípios constitucionais da
legalidade, impessoalidade, moralidade e isonomia, além de destacar que
o Sambódromo da Marquês de Sapucaí é um bem público municipal e não pode
ser administrado como propriedade privada.
Apesar da gravidade das denúncias, as escolas da Série Ouro ressaltaram
que o objetivo não é o confronto, mas sim a solução institucional dos
problemas. A Liga afirma que espera uma atuação firme, imparcial e
efetiva da Riotur, inclusive assumindo maior protagonismo na gestão do
credenciamento, dos ensaios técnicos e do uso do Sambódromo nos dias da
Série Ouro.
Ao mesmo tempo, durante o ato, a direção da entidade deixou claro que,
caso não haja resposta ou solução administrativa, as agremiações avaliam
recorrer a outras esferas institucionais e jurídicas, além de não
descartarem a convocação de coletivas de imprensa e manifestações
públicas pacíficas para dar transparência à situação.
“Confiamos na Riotur e acreditamos no diálogo. Nosso desejo é que o
Carnaval 2026 seja organizado com justiça, equilíbrio e respeito às
escolas da Série Ouro e às suas comunidades. No entanto, se for
necessário, buscaremos outros caminhos para garantir nossos direitos e a
dignidade do Carnaval”, afirmou Hugo Junior, presidente da Liga RJ.
Durante o ato, a entidade também reafirmou que permanece aberta a uma
reunião institucional imediata, com mediação da Riotur, envolvendo todas
as partes, para que as divergências sejam resolvidas de forma
transparente, legal e democrática, preservando o maior espetáculo
cultural do Rio de Janeiro.
Os ensaios técnicos das escolas da Série Ouro acontecem neste final de
semana, de sexta-feira (23) a domingo (24), na Sapucaí. Os desfiles
estão marcados para os dias 13 e 14 de fevereiro.
Fotos: Liga RJ



























