Desfilando pela Série Bronze do carnaval carioca, a Novo Império
divulgou a sinopse do seu enredo para o carnaval de 2026. A agremiação
levará para a Intendente Magalhães o tema “No canto sagrado dos pajés e
curandeiros: A cura que brota da floresta”, desenvolvido pelos
carnavalescos Alex Santiago e Elvis Luiz. A escola optou por encomendar
o samba-enredo aos compositores da casa. A obra será apresentada no dia
7 de setembro em grande festa de aniversário da agremiação.
SINOPSE
Com as bênçãos dos pajés e curandeiros, a Novo Império levanta seu
pavilhão para cantar a força ancestral da mata. Entre o gorjear dos
pássaros e o dançar das árvores ao som das cascatas, surge a magia que
perfuma a vida com cheiro de beijoim. As energias de Ossain e aroni, num
bailado místico, convidam a todos para um banho de fé e renovação.
Invocamos o “Senhor das Folhas” e o poder curativo das plantas
medicinais, herança dos nossos ancestrais, que maceram a dor e eliminam
epidemias. Ao som do samba, as sementes do amor florescem, curando
feridas e trazendo esperança. De bengalas que quebram mandinga a
caboclos que evocam “Okê Arô!”, a sabedoria antiga ressurge: o pajé, o
curandeiro, o avô que ensina o banho de abô, todos eles guardam o
segredo da floresta, a receita infalível contra o medo.
Eis que a alegria faz morada: saravá, atotô! Que o axé corra livre na
Avenida, pedindo mais amor e proteção. É a festa do canto sagrado, onde
a cura não vem apenas das folhas, mas também do sorriso, da comunhão e
do compasso do nosso coração. Que o tambor do samba exale o aroma das
flores e afaste todos os dissabores, numa celebração da vida, da fé e da
energia que brota do ventre do Ayê.
SETOR 1 – O CHAMADO DA FLORESTA E DE SEUS GUARDIÕES
O primeiro setor estabelece a conexão fundamental entre homem e
natureza. As bênçãos dos pajés e curandeiros são a base de toda a
narrativa, anunciando que a cura – tanto do corpo quanto do espírito –
nasce do contato profundo com a mata e suas energias. A exaltação dos
sons e aromas demonstra como a alegria e o equilíbrio podem florescer
quando respeitamos e valorizamos a sabedoria natural.
Vamos ser transportados ao interior da floresta, onde a natureza é a
grande protagonista. O canto dos pássaros (o gorjear que anuncia a vida)
e o balançar das árvores ao som das cascatas servem como sinal de
boas-vindas. Pajés e curandeiros surgem como guardiões sagrados, a ponte
entre o mundo natural e o espiritual. São eles que trazem a
ancestralidade em cada reza, em cada folha sagrada.
O cheiro de beijoim perfuma o ar, anunciando o poder místico que paira
sobre o ambiente. Nesse contexto, surgem as energias de Ossain e Aroni –
entidades que dançam num bailado ritualístico, convidando todos a
mergulhar nesse universo de fé, renovação e respeito à Terra. A força do
primeiro setor está em mostrar que a floresta não é apenas paisagem: ela
é viva, mágica e protetora, abençoando cada passo desse desfile.
SETOR 2 – O SENHOR DAS FOLHAS E A CURA PELOS SABERES ANCESTRAIS
No segundo setor, o desfile destaca a força da herança ancestral e o
valor do conhecimento transmitido pelos mais velhos. Ao incorporar São
Benedito (em sincretismo com Catendê), o enredo expande a noção de que
as crenças se entrelaçam, somando catolicismo popular e tradições
africanas em torno do valor medicinal das plantas. Assim, as folhas se
tornam ponte entre a terra e o divino, reforçando que a maior farmácia
do mundo está na própria mata, onde fé e natureza se unem para curar
corpo e alma.
Assim, aprofunda-se no poder curativo das plantas, transmitindo a ideia
de que a mata não apenas encanta com sua beleza, mas também oferece
remédios naturais capazes de eliminar enfermidades. O “Senhor das
Folhas” é a figura central que, com sabedoria milenar, conhece cada erva
e suas propriedades. É ele quem macera, amassa e prepara unguentos, chás
e banhos purificadores para afastar as epidemias e trazer equilíbrio
espiritual.
Neste cenário, São Benedito, cultuado como símbolo de humildade e
caridade, surge em sincronia espiritual com Catendê, reforçando o
sincretismo religioso. Assim como Catendê, São Benedito é lembrado por
sua proximidade com as ervas e seu poder de cura, demonstrando que o
conhecimento da floresta, aliado à fé, atravessa barreiras culturais.
Aqui, vemos ainda como a tradição se manifesta na bengala do velho que,
ao bater no chão, “quebra a mandinga” e protege contra o mal. Os
caboclos, ligados à raiz indígena, mostram sua bravura e fé ao bradarem
“Okê Arô!”, saudação e pedido de força aos Orixás da natureza. Esse
setor ressalta a herança dos antepassados que, de geração em geração,
compartilham o conhecimento sobre as folhas e as formas de cura.
SETOR 3 – O CARNAVAL COMO A CURA PELA ALEGRIA
No último setor, a festa explode em cores, ritmos e sorrisos,
representando o ponto alto dessa narrativa de cura. Surge então o
Carnaval como o grande remédio da alma, a manifestação cultural que une
a todos em comunhão. Aqui, a cura não se dá apenas através das ervas ou
dos banhos de abô, mas também pela alegria, pelo riso e pela dança. O
toque dos tambores e a vibração do samba elevam o espírito, trazendo
axé, proteção e amor.
Assim, “Saravá, atotô!” ecoa pelo ar, pedindo ao divino que leve embora
todas as dores e dissonâncias. O samba, agora fortalecido por tudo que
foi vivido ao longo do enredo, se torna capaz de afastar os dissabores e
trazer a esperança. É o instante em que floresce a certeza de que a fé,
aliada à alegria, é capaz de encantar e curar os corações.
A Novo Império, ao conduzir esse percurso pela floresta sagrada e pela
sabedoria ancestral, lembra a todos que o segredo da cura está tanto nas
folhas quanto na festa. A comunhão entre a natureza, a fé e a alegria
revela o poder infinito da vida, celebrando a esperança em cada batida
do samba, em cada gesto de amor, em cada sorriso na avenida.

























