Novo Império divulga sinopse do enredo e anuncia encomenda do samba-enredo para 2026

0
234

Desfilando pela Série Bronze do carnaval carioca, a Novo Império

divulgou a sinopse do seu enredo para o carnaval de 2026. A agremiação

levará para a Intendente Magalhães o tema “No canto sagrado dos pajés e

curandeiros: A cura que brota da floresta”, desenvolvido pelos

carnavalescos Alex Santiago e Elvis Luiz. A escola optou por encomendar

o samba-enredo aos compositores da casa. A obra será apresentada no dia

7 de setembro em grande festa de aniversário da agremiação.

SINOPSE

 

Com as bênçãos dos pajés e curandeiros, a Novo Império levanta seu

pavilhão para cantar a força ancestral da mata. Entre o gorjear dos

pássaros e o dançar das árvores ao som das cascatas, surge a magia que

perfuma a vida com cheiro de beijoim. As energias de Ossain e aroni, num

bailado místico, convidam a todos para um banho de fé e renovação.

 

Invocamos o “Senhor das Folhas” e o poder curativo das plantas

medicinais, herança dos nossos ancestrais, que maceram a dor e eliminam

epidemias. Ao som do samba, as sementes do amor florescem, curando

feridas e trazendo esperança. De bengalas que quebram mandinga a

caboclos que evocam “Okê Arô!”, a sabedoria antiga ressurge: o pajé, o

curandeiro, o avô que ensina o banho de abô, todos eles guardam o

segredo da floresta, a receita infalível contra o medo.

 

Eis que a alegria faz morada: saravá, atotô! Que o axé corra livre na

Avenida, pedindo mais amor e proteção. É a festa do canto sagrado, onde

a cura não vem apenas das folhas, mas também do sorriso, da comunhão e

do compasso do nosso coração. Que o tambor do samba exale o aroma das

flores e afaste todos os dissabores, numa celebração da vida, da fé e da

energia que brota do ventre do Ayê.

 

 

 

SETOR 1 – O CHAMADO DA FLORESTA E DE SEUS GUARDIÕES

 

O primeiro setor estabelece a conexão fundamental entre homem e

natureza. As bênçãos dos pajés e curandeiros são a base de toda a

narrativa, anunciando que a cura – tanto do corpo quanto do espírito –

nasce do contato profundo com a mata e suas energias. A exaltação dos

sons e aromas demonstra como a alegria e o equilíbrio podem florescer

quando respeitamos e valorizamos a sabedoria natural.

 

Vamos ser transportados ao interior da floresta, onde a natureza é a

grande protagonista. O canto dos pássaros (o gorjear que anuncia a vida)

e o balançar das árvores ao som das cascatas servem como sinal de

boas-vindas. Pajés e curandeiros surgem como guardiões sagrados, a ponte

entre o mundo natural e o espiritual. São eles que trazem a

ancestralidade em cada reza, em cada folha sagrada.

 

O cheiro de beijoim perfuma o ar, anunciando o poder místico que paira

sobre o ambiente. Nesse contexto, surgem as energias de Ossain e Aroni –

entidades que dançam num bailado ritualístico, convidando todos a

mergulhar nesse universo de fé, renovação e respeito à Terra. A força do

primeiro setor está em mostrar que a floresta não é apenas paisagem: ela

é viva, mágica e protetora, abençoando cada passo desse desfile.

 

 

 

SETOR 2 – O SENHOR DAS FOLHAS E A CURA PELOS SABERES ANCESTRAIS

 

No segundo setor, o desfile destaca a força da herança ancestral e o

valor do conhecimento transmitido pelos mais velhos. Ao incorporar São

Benedito (em sincretismo com Catendê), o enredo expande a noção de que

as crenças se entrelaçam, somando catolicismo popular e tradições

africanas em torno do valor medicinal das plantas. Assim, as folhas se

tornam ponte entre a terra e o divino, reforçando que a maior farmácia

do mundo está na própria mata, onde fé e natureza se unem para curar

corpo e alma.

 

Assim, aprofunda-se no poder curativo das plantas, transmitindo a ideia

de que a mata não apenas encanta com sua beleza, mas também oferece

remédios naturais capazes de eliminar enfermidades. O “Senhor das

Folhas” é a figura central que, com sabedoria milenar, conhece cada erva

e suas propriedades. É ele quem macera, amassa e prepara unguentos, chás

e banhos purificadores para afastar as epidemias e trazer equilíbrio

espiritual.

 

Neste cenário, São Benedito, cultuado como símbolo de humildade e

caridade, surge em sincronia espiritual com Catendê, reforçando o

sincretismo religioso. Assim como Catendê, São Benedito é lembrado por

sua proximidade com as ervas e seu poder de cura, demonstrando que o

conhecimento da floresta, aliado à fé, atravessa barreiras culturais.

 

Aqui, vemos ainda como a tradição se manifesta na bengala do velho que,

ao bater no chão, “quebra a mandinga” e protege contra o mal. Os

caboclos, ligados à raiz indígena, mostram sua bravura e fé ao bradarem

“Okê Arô!”, saudação e pedido de força aos Orixás da natureza. Esse

setor ressalta a herança dos antepassados que, de geração em geração,

compartilham o conhecimento sobre as folhas e as formas de cura.

 

 

 

SETOR 3 – O CARNAVAL COMO A CURA PELA ALEGRIA

 

No último setor, a festa explode em cores, ritmos e sorrisos,

representando o ponto alto dessa narrativa de cura. Surge então o

Carnaval como o grande remédio da alma, a manifestação cultural que une

a todos em comunhão. Aqui, a cura não se dá apenas através das ervas ou

dos banhos de abô, mas também pela alegria, pelo riso e pela dança. O

toque dos tambores e a vibração do samba elevam o espírito, trazendo

axé, proteção e amor.

 

Assim, “Saravá, atotô!” ecoa pelo ar, pedindo ao divino que leve embora

todas as dores e dissonâncias. O samba, agora fortalecido por tudo que

foi vivido ao longo do enredo, se torna capaz de afastar os dissabores e

trazer a esperança. É o instante em que floresce a certeza de que a fé,

aliada à alegria, é capaz de encantar e curar os corações.

 

A Novo Império, ao conduzir esse percurso pela floresta sagrada e pela

sabedoria ancestral, lembra a todos que o segredo da cura está tanto nas

folhas quanto na festa. A comunhão entre a natureza, a fé e a alegria

revela o poder infinito da vida, celebrando a esperança em cada batida

do samba, em cada gesto de amor, em cada sorriso na avenida.