União de Maricá levará para a Sapucaí a história do mais emblemático artigo da joalheria negra

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A União de Maricá revelou neste sábado (7/06) o enredo que levará à

Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026, na Série Ouro. Criado por

Leandro Vieira, “Berenguendéns e Balangandãs” mergulha na história da

joalheria produzida por negros no Brasil, tendo o balangandã — sua

confecção, simbolismo de poder e uso como poupança financeira por

mulheres pretas — como mote principal para o desenvolvimento do desfile.

O anúncio foi feito durante uma grande festa na quadra da escola, em

Maricá, por meio de um vídeo em parceria com a Cultne, com texto do

próprio carnavalesco e narração da poetisa Elisa Lucinda.

 

Para Leandro Vieira, autor do enredo e responsável pelo desenvolvimento

de fantasias e alegorias, a proposta não apenas resgata e exalta uma

estética de força e beleza, como também dialoga com pautas afrocentradas

de caráter afirmativo.

 

– Esse conjunto de peças pendentes presas à cintura das mulheres pretas

reúnem farto material iconográfico de estética exuberante. São frutas

bordadas, animais estilizados em ouro e prata, objetos de marfim,

azeviche e corais. Isso, embora visualmente sedutor e profundamente

carnavalesco, é apenas parte dessa história de beleza. Junto da penca há

todo o universo social e religioso que os associa a um modo de se impor

numa sociedade escravocrata, de reinvenção do sagrado e de liberdade

conquistada por mulheres empreendedoras que se exibiam cobertas por

joias – afirma o carnavalesco.

 

A penca de balangandãs, objeto transformado em enredo, é uma insígnia de

liberdade e um símbolo do poder de mulheres pretas escravizadas que

conquistaram autonomia, ascensão social e econômica em uma sociedade

profundamente marcada pelo racismo. Tradicionalmente confeccionado em

ouro ou prata, o adorno representa a força e resistência das mulheres

negras que alcançaram a liberdade de forma autônoma, tornando-se o

artigo mais emblemático da joalheria preta produzida no Brasil.

 

Objeto central, o conjunto de pingentes em formato de frutas, figas e

outros berloques também era utilizado como amuleto e exibido na cintura

como forma de ostentação pública e poder. Inspirados por um misto de

referências africanas e portuguesas, os adornos se popularizaram durante

os períodos colonial e imperial do Brasil e, ao serem ostentados,

impunham status e afirmavam a identidade de quem os usava.

 

Em 2026, a União de Maricá será a sexta escola a desfilar no sábado, 14

de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, em busca do título da Série Ouro e

o acesso ao Grupo Especial.