Adeus, Aldir Blanc e Flávio Migliaccio

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A cultura brasileira está triste. Hoje perdemos dois nomes importantes: o escritor e compositor Aldir Blanc e o ator Flávio Migliaccio.

Aldir Blanc Mendes, carioca do bairro do Estácio, nasceu em 2/9/1946. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em Psiquiatria. Em 1973, abandonou a Medicina, passando a se dedicar exclusivamente à música. Aldir publicou vários livros, entre os quais “Rua dos Artistas e Arredores”, “Porta de tinturaria” e “Vila Isabel – Inventário de infância”. Conforme o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, Aldir era frequentador assíduo dos blocos carnavalescos, dentre eles o Simpatia é Quase Amor, cujo nome é de sua autoria.

Na MPB, Aldir nos deixou obras importantes. Dentre elas, músicas que falavam do sentimento do povo brasileiro pelo retorno da democracia, da liberdade. Assim foi com “O Bêbado e o Equilibrista”, que se tornou hino da anistia geral, ampla e irrestrita. E outras tantas que retratavam o sentimento da maioria da população, nos anos de chumbo.

Aldir também foi autor de sucessos da MPB como “Coração do Agreste” (com Moacyr Luz), “Corsário” (com João Bosco) e “Resposta ao Tempo” (com Cristóvão Bastos).

Hoje, Aldir Blanc nos deixou, aos 73 anos de idade, vítima do coronavírus.

E perdemos também o ator Flávio Migliaccio, aos 85 anos. Paulista do bairro do Brás, Flávio tornou-se conhecido pelos personagens Tio Maneco, e Xerife da novela “O Primeiro Amor”, onde era parceiro do ator Paulo José, que interpretava o personagem Shazam.

Dois grandes artistas, que se destacaram num período em que tudo era muito difícil. Momento em que nossa cultura foi tão cerceada pela censura. Onde o talento falava mais alto, não havia a tão propalada força da mídia. Uma época em que muitos artistas cantaram e representaram, com coragem, o desejo de liberdade do povo brasileiro, que não podia se expressar sem que fosse duramente reprimido.

Às famílias de Aldir Blanc e Flávio Flávio Migliaccio, nossos sentimentos de pesar.

E a Aldir Blanc, nossa homenagem especial. Apesar de “O Bêbado e a Equilibrista” ser um clássico, uma de suas músicas mais lembradas, optamos por outra música. A que fala de uma saudade de muitos cariocas das antigas. Aqueles que conheceram a verdadeira Cidade Maravilhosa, a capital cultural do Brasil. E que sonha em revê-la novamente. Que torce muito pela sua recuperação.