O Espaço Tápias, um dos principais polos de criação, difusão e formação
em dança no país, inaugura a temporada 2026 com um gesto artístico de
grande densidade simbólica: a remontagem de “Cinco Coreógrafos em um
Corpo”, do Grupo Tápias, obra criada em 2006 para a bailarina e
coreógrafa Flávia Tápias.
As apresentações acontecem nos dias 14, 15, 28 e 29 de março, na Sala
Maria Thereza Tápias, no Rio de Janeiro, marcando não apenas a abertura
do calendário artístico, mas uma afirmação contundente sobre memória,
maturidade e permanência na dança contemporânea.
Concebido originalmente em duas versões — uma com cinco coreógrafos
brasileiros e outra com cinco criadores internacionais — o projeto
consolidou-se como um marco na trajetória do Grupo Tápias. A proposta
era radical e simples: diferentes olhares coreográficos dialogando com
um único corpo, explorando suas singularidades técnicas, expressivas e
biográficas.
Vinte anos depois, o retorno do espetáculo não se configura como mera
celebração nostálgica. Trata-se de uma releitura crítica, que confronta
diretamente temas urgentes como o etarismo na dança e a invisibilização
do corpo maduro nos palcos.
“Revisitar esses solos é revisitar quem eu fui e quem eu sou hoje.
Existe uma potência no corpo maduro que precisa ser vista e celebrada”,
afirma Flávia.
A nova montagem reúne dez solos — cinco nacionais e cinco internacionais
— apresentados em composições distintas a cada noite, convidando o
público a acompanhar diferentes diálogos estéticos e dramaturgias
corporais. Cada apresentação se transforma, assim, em uma curadoria
específica, reforçando a vitalidade do repertório.
Diálogos internacionais e identidade brasileira
Entre as obras remontadas estão criações de nomes expressivos da cena
contemporânea internacional e nacional:
“Light Piece / Copy That”, de Pol Coussement (Bélgica), investigação
sobre luz, imagem e percepção, em que o vídeo deixa de ser suporte e
passa a ser matéria coreográfica.
“Living Room”, de Stéphanie Thiersch (Alemanha), que tensiona sonho e
confinamento, desejo e limite, em um espaço íntimo e perturbador.
Solo de Rami Levi (Israel), inspirado na fisicalidade animal e na
experiência do criador junto a companhias internacionais de ponta.
“On ne se connaît pas encore mais”, de Thomas Lebrun (França), inspirado
na figura icônica de Carmen Miranda, explorando as contradições entre
exuberância pública e melancolia íntima.
“Rede”, de Giselle Tápias (Brasil), que transforma um símbolo cultural
brasileiro em dramaturgia corporal.
“Da Família dos Crocodilos”, de Paulo de Moraes (Brasil), obra de forte
densidade dramática que integra o repertório histórico da companhia.
“Semelhante”, de Henrique Rodovalho (Brasil), agora reinterpretado em
2025, tensionando estrutura musical e liberdade do gesto.
O conjunto evidencia a amplitude estética que consolidou o Grupo Tápias
como ponte entre o Brasil e a cena europeia, especialmente em circuitos
como França, Bélgica e Alemanha.
Transmissão e legado: uma nova geração em cena
A temporada também simboliza passagem e continuidade. Flávia Tápias
compartilha o repertório com a bailarina Letícia Xavier, carioca de São
Gonçalo, descoberta em audição e integrante da companhia desde o projeto
“Café Não é Só uma Xícara”.
Flávia Tápias estará no palco nos dias 14 e 28, e nos dia 15 e 29,
Letícia apresentará cinco solos, reafirmando que a remontagem não é
apenas memória — é legado em ação. O espetáculo, assim, ganha uma nova
camada: o mesmo material coreográfico atravessando corpos de gerações
distintas, revelando transformações, permanências e deslocamentos.
Um polo de criação e formação na dança contemporânea
Inaugurado em 30 de abril de 2022, na Avenida Armando Lombardi, o Espaço
Tápias nasceu com o propósito de transformar vidas por meio da arte. Sob
direção de Giselle Tápias e Flávia Tápias, nomes reconhecios
nacionalmente e internacionalmente, o centro cultural consolidou-se como
um núcleo de incentivo à criação, à pesquisa e à circulação da dança
contemporânea no Brasil.
A estrutura conta com salas destinadas a aulas e ensaios, além da Sala
Maria Thereza Tápias, voltada para espetáculos, encontros e
apresentações artísticas. O espaço também acolhe artistas e professores
independentes, fomentando um ambiente colaborativo de experimentação e
intercâmbio.
A Semana de Portas Abertas representa não apenas uma oportunidade de
conhecer cursos, mas de entrar em contato com um ecossistema artístico
que articula formação, produção e difusão cultural.
Serviço:
Cinco Coreógrafos em um Corpo
Dias 14, 15, 28 e 29 de março de 2026
Horário: 19h
Local: Sala Maria Thereza Tápias – Espaço Tápias – Rio de Janeiro
Endereço: Av. Armando Lombardi, 175 – 2º andar, Barra da Tijuca – Rio de
Janeiro
Ingressos: R$40 inteira e R$20 meia através da plataforma Sympla
Classificação: Livre

























