“Não Sou Nada” – filme do português Edgar Pêra dialoga com Fernando Pessoa – estreia no Brasil

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Produzido por Rodrigo Areias, da produtora Bando à Parte (Portugal), o

filme Não Sou Nada (2023), do cineasta português Edgar Pêra, estreia no

Brasil via Fênix Filmes, no dia 5 de junho. Realizador conhecido por sua

filmografia iconoclasta e vanguardista, constrói um ensaio audiovisual

hipnótico e desconcertante, inspirado no poema homônimo de Álvaro de

Campos, um dos heterônimos mais turbulentos de Fernando Pessoa. Mais do

que uma adaptação, o filme é uma experiência sensorial que dissolve as

fronteiras entre cinema, poesia e música, mergulhando o espectador em um

turbilhão de imagens, sons e reflexões sobre identidade, memória e a

própria natureza da arte.

 

 

 

Direção: Edgar Pêra

 

Roteiro: Edgar Pêra, Luísa Costa Gomes

 

Fotografia: Jorge Quintela

 

Montagem: Cláudio Vasques

 

Som: Pedro Marinho

 

Design De Produção: Ricardo Preto

 

Música: Jorge Prendas

 

Trilha Sonora: The Legendary Tigernam

 

Elenco: Miguel Borges, Victoria Guerra, Albano Jerónimo, Vitor Correia,

Marco Paiva, António Durães, Paulo Pires

 

Produtor: Rodrigo Areias

 

Produzido Por: Bando À Parte

 

Classificação Indicativa: 16

 

 

 

Sinopse

 

Se a pessoa contém em si imensas latitudes, o poeta que todos conhecemos

conteve muito mais. No thriller umbilical de Edgar Pêra, Pessoa (Miguel

Borges) alberga na mente todo um “Clube do Nada”, povoado pelos

heterónimos que codificam as suas peculiaridades e lhe enriquecem a voz

lírica pela experiência múltipla. A ameaça de uma psique estilhaçada é

permanente, mais ainda com a chegada de uma mulher bem diferente da

Ofélia (Victoria Guerra) que mora no real, e com o “convalescente do

momento” Álvaro de Campos (Albano Jerónimo) a querer ocupar à força o

“rés-do-chão do pensamento”. A trilha sonora é assinada por The

Legendary Tigernam, nome artístico de Paulo Furtado, que também

participa no filme como ator.

 

 

 

“Não Sou Nada”: Um Thriller Psicológico no Universo de Fernando Pessoa

 

O filme é uma obra audaciosa que reinventa o gênero biográfico ao

transformar a vida e os heterônimos de Fernando Pessoa em um thriller

psicológico surrealista. Estrelado por Albano Jerônimo, Victoria Guerra

e Miguel Borges*, o longa estreou em janeiro de 2023, no Festival de

Cinema de Roterdão, nos Países Baixos, chamando a atenção por sua

abordagem inovadora.

 

 

 

A história se passa em uma redação onde Pessoa e seus heterônimos —

todos vestidos de forma idêntica (terno preto, chapéu e bigode) —

trabalham na 23ª edição da revista “Orpheu”. No entanto, o ambiente

aparentemente normal se transforma quando Ofélia (interpretada por

Victoria Guerra), a única paixão conhecida do poeta, surge em cena. Sua

presença desencadeia uma série de eventos misteriosos, incluindo

assassinatos, em um clima que remete ao ‘noir clássico’, mas com toques

de surrealismo e tensão psicológica.

 

 

 

O filme opera em dois planos interligados: o mundo da redação (o “Clube

do Nada”) e um hospício, sugerindo que tudo pode ser uma projeção da

mente perturbada de Pessoa. A narrativa não segue uma lógica

convencional, convidando o espectador a mergulhar no caos criativo e

existencial do poeta.

 

 

 

Edgar Pêra constrói o roteiro quase inteiramente com versos de Fernando

Pessoa, incluindo passagens em inglês — língua que o poeta, criado na

África do Sul, também dominava. Os heterônimos, como Álvaro de Campos

(interpretado por Albano Jerônimo), ganham vida própria, disputando

espaço e autoridade em cena.

 

 

 

“Não Sou Nada” é o projeto mais ambicioso de Edgar Pêra, fugindo

completamente das biografias tradicionais. Mais do que contar a vida de

Pessoa, o filme reproduz seu universo mental — caótico, poético e cheio

de camadas. Para quem busca cinema experimental, literatura e uma viagem

sensorial pela mente de um dos maiores escritores portugueses, esta é

uma obra que precisa ser sentida, não apenas assistida.

 

 

 

Um Filme-Catástrofe, Um Retrato do Vazio

 

Pêra não conta uma história: ele desmonta-a. Através de uma montagem

fragmentada, que mescla película Super 8, vídeo digital e arquivos

deteriorados, Não Sou Nada evoca um mundo em ruínas — tanto físico

quanto psicológico. A Lisboa que vemos não é a cidade turística, mas um

labirinto de sombras, fábricas abandonadas e rostos apagados, como se o

cineasta estivesse a escavar os escombros de uma civilização esquecida.

 

 

 

Edgar Pêra: O Alquimista do Cinema Português

 

Edgar Henrique Clemente Pêra (Lisboa, 1960) é um dos cineastas mais

inventivos de Portugal, frequentemente descrito como um ‘anarquista da

imagem’ ou “o punk do cinema lusitano”. Com uma carreira que atravessa

quatro décadas, Pêra construiu uma filmografia que desafia

classificações, misturando vanguarda, pop, literatura e uma obsessão

pela materialidade do cinema.

 

 

 

Formação e Influências – Estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema

de Lisboa e na Royal College of Art (Londres).  Influências díspares: do

cinema experimental (Stan Brakhage) ao punk rock, passando por Fernando

Pessoa e a literatura beatnik.

 

 

 

Obras Cinematográficas – Edgar Pêra

 

Longas

 

 

 

KINORAMA – Beyond The Walls of The Real (2021)

 

Magnetick Pathways (2018)

 

The Amazed Spectator (2016)

 

Lisbon Revisited (2014)

 

Cinesapiens (segment of 3x3D Film with Jean-Luc Godard and Peter

Greenaway) 2013

 

The Baron (2011)

 

The Window (Don Juan Mix) (2001)

 

Manual of Evasion LX 94 (1994)

 

 

 

Curtas

 

Who Is The Master Who Makes The Grass Green? (1996)

 

The City of Cassiano (1991)