O Theatro Municipal do Rio de Janeiro será o cenário de uma celebração
inesquecível para o cantor, compositor e percussionista Nego Álvaro, no
dia 6 de abril. O artista sobe ao palco de um dos templos sagrados da
arte fluminense para comemorar uma década de sua carreira solo,
reafirmando seu lugar como um dos protagonistas do samba contemporâneo.
A celebração contará com as ilustres participações de Diogo Nogueira,
Moacyr Luz, Marina íris, Marcelle Motta e Altay Veloso, este último como
um presente para Nego Álvaro, sendo a primeira apresentação dos dois
juntos. A Festa revisita sua jornada, desde as primeiras batucadas na
favela do Catiri, em Bangu, Zona Oeste do Rio, até as parcerias com
ícones da música nacional e internacional.
O show será um mergulho na discografia do artista, passando pelo álbum
de estreia, “Cria do Samba” (2016), produzido por Pretinho da Serrinha,
o projeto “Nego Álvaro canta Sereno e Moa” (2018), e o elogiado EP
autoral “Bons Ventos” (2021). No repertório, sucessos como “Estranhou o
quê?” e “De lá” dividem espaço com composições que revelam sua
maturidade como autor. A última década foi marcada por momentos
singulares na vida de Nego Álvaro, como a emblemática participação no
show da estrela norte-americana Alicia Keys, no Palco Mundo do Rock in
Rio, em 2017, e as colaborações constantes com nomes como Zeca
Pagodinho, Arlindo Cruz e Beth Carvalho, no lendário “Cozido do Zeca” –
Nego foi músico da “Madrinha do Samba” por algum tempo, além de ser um
dos nomes a cantar músicas compostas por Zeca Pagodinho.
No caminho certo
A Festa é fruto de um trabalho consistente e que revela a bagagem
musical e cultural que Nego Álvaro tem realizado nos últimos anos,
reconhecido com três indicações a maior premiação da música na América
Latina, o Grammy, na categoria melhor álbum com ‘Nego Álvaro Canta
Sereno e Moa’ (2019); ‘Fazendo Samba’ (2020) e ‘Bons Ventos’ (2022).
“Uma festa para celebrar o reconhecimento e a realização dos sonhos de
quem só queria cantar e fazer música, alegrando a vida das pessoas,
fruto das rodas de samba”, celebra Nego.
Nego tem ciência de que seguir seu sonho foi o maior acerto. “A minha
trajetória no samba, convivendo com grandes nomes da nossa música, tendo
a oportunidade de aprender e me desenvolver, pessoas como Moacyr Luz, a
quem eu sou muito grato. As indicações ao Grammy foram coisas
surpreendentes na minha vida, eu nunca imaginei, uma grande surpresa.
Tudo isso aconteceu para me dar mais força e me dar a certeza de que
venho trilhando o caminho certo. O meu sonho, vivendo e me realizando no
samba. O samba pra mim é sagrado”, relembra Nego Álvaro.
Artista contemporâneo que une maturidade e frescor em sua trajetória,
aos 37 anos construiu uma bagagem sólida, transitando com naturalidade
entre diferentes gerações do samba e da música popular brasileira. Sua
versatilidade o levou a integrar a banda de Beth Carvalho e estabelecer
parcerias com nomes da nova geração, como Diogo Nogueira.
O compositor também ecoa em vozes consagradas, com músicas gravadas por
Roberta Sá e Maria Rita, reforçando sua presença crescente na cena
musical. “Minha música nasce desse encontro entre gerações. Cresci
ouvindo grandes mestres e hoje tenho a alegria de caminhar ao lado de
artistas que sempre admirei, ao mesmo tempo em que construo pontes com a
minha própria geração. É sobre respeitar a raiz, mas também seguir em
movimento”, analisa Nego Álvaro.
A Festa do Samba, celebração dos 10 anos de carreira de Nego Álvaro
também guarda uma boa surpresa para quem for ao Theatro Municipal do
Rio. Ele e Diogo Nogueira vão cantar uma música inédita em parceria.
“Levar uma inédita para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em uma
noite tão importante, é reafirmar que o samba segue vivo, se renovando e
criando novas memórias. O samba é sagrado e a festa é dele”, completa.
Uma Trajetória de Raiz e Ascensão
Criado na Zona Oeste carioca, Nego Álvaro cresceu sob a influência do
irmão percussionista e a magia do Pagode de Tia Doca. Aos 15 anos, já
atuava profissionalmente, mas foi no solo sagrado do Cacique de Ramos
que sua voz e seu pandeiro ganharam o Brasil, “quando a roda ainda era
acústica, no gogó e na palma da mão”, com nomes consagrados do samba
como os saudosos Bira Presidente e Ubirany, fundadores do Fundo de
Quintal. Mais posteriormente, ele fez parte do Samba do Trabalhador,
onde esteve por quase quinze anos.
Nego Álvaro revisa sua trajetória lembrando com carinho suas
referências: “Toda essas passagens e oportunidades pelas grandes rodas
de samba, que foram várias e nessas mais memoráveis como Cacique de
Ramos e Samba do Trabalhador, convivendo e aprendendo com os bambas do
samba foi de extrema importância pra mim, foi onde eu comecei a me
entender como parte de tudo aquilo, uma escola, tudo isso me transformou
e me moldou para que eu pudesse ser um músico profissional”, relembra.
“Moacyr conversava muito comigo e sempre me incentivou a gravar um
disco. Um tempo depois começo a encarar tudo aquilo como a minha
profissão de fato, me aperfeiçoar, construindo minha personalidade na
produção musical como músico, depois eu comecei a cantar, e me
desenvolver mais ainda e sempre aprendendo com os artistas que me davam
essas oportunidades e tomando daquela água que me enriquecia”,
acrescenta o músico.
Nego Álvaro relembra orgulhoso do apelido recebido de Moa, como é
carinhosamente conhecido no meio do samba. “O apelido ou alcunha de
‘Cria do Samba’ foi dado pelo Moa, porque ele sempre me pontuava que eu
não pertencia à uma roda somente, por já ter passagens por outras rodas,
outros movimentos do samba, então ele me chamava de ‘Cria do Samba’.
Quer honra maior que essa?”, recorda satisfeito.
Nego reflete sobre sua trajetória comemorando e mantendo pés no chão:
“Hoje me considero um artista de sucesso pelo tempo de trabalho e não
midiático, um sujeito que com pouca idade já ter consolidado a carreira
com muito trabalho, muita seriedade. O samba me moldou e eu devo tudo a
esse movimento. Eu prosseguirei com muita inspiração, é o que pretendo,
compondo, tocando, cantando, passeando por outros gêneros, sim, porque
não? Mas minha raíz é o samba. Foi nele que me criei e nele que cresci,
me permito a cantar tudo o que for bom, mas com a minha consciência de
que sou um sambista”, diz o artista.
Samba é resistência
Essa ocupação histórica no Theatro Municipal, possibilita acesso raro e
reparador para todo um movimento, o samba e sua resistência. Estilo que
já foi marginalizado e perseguido, será celebrado com Nego Álvaro e
muitos outros artistas. Toda uma geração que se encontrará para celebrar
um e lembrar de tantos, numa vitória para todos aqueles que ousaram e
lutaram para manter o acesso e a luta do samba também na
contemporaneidade e firmando ponto sobre sua importância para identidade
cultural carioca e brasileira.
“Celebrar esses 10 anos no Theatro Municipal é honrar cada roda de
samba, cada batuque que me trouxe até aqui. É levar o Catiri e o
Renascença para um dos palcos mais importantes do mundo”, reflete Nego
Álvaro.
O espetáculo promete surpresas e arranjos especiais que unem a força da
percussão, marca registrada de sua formação, com a elegância acústica
que a ocasião pede.
SERVIÇO
Show Festa do Samba
Evento: Nego Álvaro – 10 Anos de Carreira
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Marechal Floriano, s/n
– Centro)
Data: 6 de abril
Horário: 19h
Preços: R$ 60 (inteira) R$ 30 (meia)
Link de vendas: Nego Alvaro – Festa do Samba no Theatro Municipal
Classificação: 12 anos
























