A sambista argentina Ale María viveu uma noite de emoção e celebração na
última terça-feira, 10 de março, ao apresentar o show “O Samba Nasceu em
Mim” no Museu do Samba, localizado na Mangueira, berço de uma das mais
tradicionais escolas do carnaval carioca. A apresentação marcou a
realização de um grande sonho da artista, que há anos se dedica ao samba
com paixão e profundo respeito à cultura brasileira.
No repertório, Ale María reverenciou mestres consagrados do gênero com
interpretações de clássicos de Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, João
Nogueira, Martinho da Vila e do grupo Fundo de Quintal, nomes
fundamentais na construção da história do samba. Entre as canções
apresentadas, um dos momentos mais especiais da noite foi a
interpretação de “Paisagem”, composição de Arlindo Cruz que a cantora
define como um de seus grandes xodós.
Ligada afetivamente à Mangueira, escola que escolheu como sua casa no
samba, Ale María destacou no palco o quanto aprendeu com a cultura e com
os grandes bambas do gênero musical pelo qual se apaixonou e passou a
chamar de seu.
Além de revisitar clássicos, a artista também apresentou seu lado
compositora em músicas autorais como “Meu Canto” e “Quem Te Falou?”, um
samba com temática de empoderamento feminino que narra a história de uma
mulher que decide se valorizar e deixar para trás um relacionamento que
não a fazia feliz.
O espetáculo contou ainda com participações especiais de nomes como
Dorina e Iracema Monteiro, entre outros convidados que prestigiaram a
apresentação e dividiram com Ale María um momento marcado por emoção,
amizade e celebração do samba.
“Foi uma noite muito emocionante. Eu fui prestigiada por pessoas que
admiro e amo muito, cantando junto a músicos que são incríveis como
pessoas e como profissionais. Poder passar para todos os que foram me
assistir e para os que me acompanharam na banda a minha verdade, o meu
amor pelo samba e o meu jeito de viver o samba me fez sair de lá mais
confiante ainda na escolha que fiz”, afirma a cantora.
Quem também celebrou a trajetória da artista foi o cantor e compositor
Xande de Pilares. Mesmo não podendo comparecer ao show, o artista fez
questão de enviar uma mensagem especial e muito carinhosa, destacando a
importância da sambista argentina para o gênero e reconhecendo seu
talento e dedicação ao samba.
“É uma forma de contestar o que muitos falam por aí, que dizem que não
gostam de samba ou que o samba morre e ressuscita. Quando a gente vê
pessoas de outros países vindo ao Brasil cantar samba, percebemos que
tem gente que precisa trocar a lente dos óculos ou passar um colírio nos
olhos. O grande exemplo é a Ale María, argentina. Quando ela abre a boca
para cantar, parece que nasceu e cresceu no Brasil. Além dela, conheço
muita gente que curte samba na Argentina, mas ela é uma grande
representante. Já está incluída no time, é titular. Além de ser uma
pessoa maravilhosa, é muito talentosa e carinhosa com os amigos”,
destacou o artista.
A apresentação no Museu do Samba reafirma o momento especial vivido por
Ale María, que segue fortalecendo sua trajetória ao mostrar que o samba
ultrapassa fronteiras e continua conquistando admiradores em diferentes
partes do mundo.

























