Artigo –  Dia do autismo: desafios da inclusão escolar e da alfabetização * Luciana Brites, Mestre e Doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento

0
232

O dia 2 de abril é internacionalmente conhecido e celebrado como o Dia

Mundial do Autismo. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas

(ONU) para conscientizar e trazer visibilidade acerca dessa questão.

Porém, para além da data, devemos estar sempre vigilantes sobre a

importância e os desafios de inclusão escolar e da alfabetização de

crianças autistas.

 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno de

neurodesenvolvimento caracterizado por déficits de interação social,

problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos

repetitivos com interesses restritos.

 

Características comuns no autismo são: pouco contato visual, pouca

reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou

inabilidade de socializar, dificuldade em usar pronomes, ecolalia,

manias e rituais; entre outros.

 

Por volta dos dois anos, a criança pode apresentar sinais que indicam

autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o

transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se

comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança

com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é

maior.

 

Por este motivo é muito importante o olhar individualizado. Também é

importante estar atento na possibilidade de comorbilidades, como, por

exemplo, deficiência intelectual. Vale ressaltar que, por outro lado,

algumas crianças com TEA apresentam altas habilidades.

 

Os desafios que surgem no processo de alfabetização no autismo não

impedem que ele ocorra, mas podem servir de motivação e inspiração para

os professores.

 

A metodologia fônica é a mais indicada para o processo de alfabetização

em transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo. O mais

importante é considerar a individualidade de cada aluno no planejamento

pedagógico, fazendo as adaptações necessárias.

 

Atividades que podem estimular a consciência fonológica de crianças com

autismo são, por exemplo, sílabas, em que você escolhe uma palavra e

estimula a repetição das sílabas que compõem a palavra.

 

Outra dica são os fonemas, direcione a atenção da criança aos sons que

compõem cada palavra, sinalizando padrões e diferenças entre eles. Já

nas rimas, leia uma história conhecida e repita as palavras que rimem.

 

As crianças com autismo podem ter facilidade na identificação direta das

palavras. Ou seja, conseguem decorar facilmente, mas têm dificuldade nas

habilidades fonológicas mais complexas, como perceber o seu contexto.

 

A inclusão escolar acaba com a segregação dos alunos com dificuldades de

aprendizagem, transtornos e deficiências. Ainda que a prática da

inclusão apresenta novos desafios, os benefícios são inúmeros, para

todos.

 

 

 

(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga,

psicomotricista, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento

pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e

transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber

https://institutoneurosaber.com.br