O dia 2 de abril é internacionalmente conhecido e celebrado como o Dia
Mundial do Autismo. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas
(ONU) para conscientizar e trazer visibilidade acerca dessa questão.
Porém, para além da data, devemos estar sempre vigilantes sobre a
importância e os desafios de inclusão escolar e da alfabetização de
crianças autistas.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno de
neurodesenvolvimento caracterizado por déficits de interação social,
problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos
repetitivos com interesses restritos.
Características comuns no autismo são: pouco contato visual, pouca
reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou
inabilidade de socializar, dificuldade em usar pronomes, ecolalia,
manias e rituais; entre outros.
Por volta dos dois anos, a criança pode apresentar sinais que indicam
autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o
transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se
comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança
com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é
maior.
Por este motivo é muito importante o olhar individualizado. Também é
importante estar atento na possibilidade de comorbilidades, como, por
exemplo, deficiência intelectual. Vale ressaltar que, por outro lado,
algumas crianças com TEA apresentam altas habilidades.
Os desafios que surgem no processo de alfabetização no autismo não
impedem que ele ocorra, mas podem servir de motivação e inspiração para
os professores.
A metodologia fônica é a mais indicada para o processo de alfabetização
em transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo. O mais
importante é considerar a individualidade de cada aluno no planejamento
pedagógico, fazendo as adaptações necessárias.
Atividades que podem estimular a consciência fonológica de crianças com
autismo são, por exemplo, sílabas, em que você escolhe uma palavra e
estimula a repetição das sílabas que compõem a palavra.
Outra dica são os fonemas, direcione a atenção da criança aos sons que
compõem cada palavra, sinalizando padrões e diferenças entre eles. Já
nas rimas, leia uma história conhecida e repita as palavras que rimem.
As crianças com autismo podem ter facilidade na identificação direta das
palavras. Ou seja, conseguem decorar facilmente, mas têm dificuldade nas
habilidades fonológicas mais complexas, como perceber o seu contexto.
A inclusão escolar acaba com a segregação dos alunos com dificuldades de
aprendizagem, transtornos e deficiências. Ainda que a prática da
inclusão apresenta novos desafios, os benefícios são inúmeros, para
todos.
(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga,
psicomotricista, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento
pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e
transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber

























