Artigo: Gestação e Alfabetização: Entenda a interconexão para o desenvolvimento do aluno *Luciana Brites

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Muitas pessoas podem achar que gestação e alfabetização são temas

distintos. No entanto, há fatores na gravidez que podem influenciar

diretamente no desenvolvimento do aluno. O que acontece durante essa

fase pode afetar o desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental

da criança. Isso porque a aprendizagem começa na barriga da mãe, já que,

segundo estudos, o bebê já sente tudo ao seu redor.

 

Por este motivo, o desenvolvimento na gestação é o primeiro passo da

educação. Nesse período, fatores como a saúde física e emocional da mãe,

nutrição adequada, ambiente familiar e exposição a substâncias tóxicas

influenciam diretamente o desenvolvimento neurológico do bebê. Pesquisas

indicam que esses elementos impactam áreas como atenção, memória e

regulação emocional, funções essenciais para o sucesso escolar na

infância.

 

Além disso, a saúde da gestante é fundamental. Condições como

hipertensão, diabetes gestacional e infecções não tratadas podem

comprometer a oxigenação e nutrição do feto. Além disso, altos níveis de

estresse e ansiedade elevam o cortisol, hormônio que pode afetar a

formação de estruturas cerebrais ligadas ao comportamento e à

aprendizagem, como o hipocampo e o córtex pré-frontal.

 

Da mesma forma, a nutrição adequada fornece os substratos essenciais

para a formação cerebral. A deficiência de nutrientes como ferro, ácido

fólico, ômega-3 e iodo pode estar relacionada a déficits cognitivos,

dificuldades de linguagem e baixo desempenho escolar. Segundo a

Organização Mundial da Saúde, a ingestão adequada de ácido fólico reduz

em até 70% o risco de defeitos do tubo neural.

 

Não podemos esquecer de que o ambiente externo e familiar impacta o bebê

na gestação. Ambientes com exposição constante a violência,

instabilidade emocional ou poluição ambiental estão associados a maiores

taxas de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Um ambiente

acolhedor, com vínculos positivos e apoio emocional à gestante, favorece

a liberação de hormônios benéficos que promovem a maturação saudável do

sistema nervoso central do bebê.

 

A gestante não deve ingerir substâncias como álcool, tabaco ou altos

níveis de estresse porque estes são fatores de risco importantes que

causam impactos no sistema nervoso da criança, podendo resultar em TDAH,

problemas de atenção e memória. Reforçando que estas questões envolvem

fatores genéticos, ambientais e interações complexas.

 

Lembre-se de que o emocional da gestante influencia diretamente o bebê.

Como a mãe se sente nesse período. Sentimentos como falta de

acolhimento, medo ou estresse interferem na estabilidade emocional do

bebê, impactando a regulação emocional, habilidades sociais e

comportamentos na infância.

 

Depois do nascimento, o vínculo entre escola e família se torna decisivo

e essa é uma importante parceria. Professores que dialogam com famílias

têm melhores condições de adaptar práticas pedagógicas e promover um

ambiente de aprendizagem seguro e coerente com as vivências da criança,

assim influenciando no seu desenvolvimento e alfabetização.

 

É de extrema importância entender que tudo começa na gravidez para se

ter um olhar mais completo sobre as necessidades e desafios que surgem

na infância. Ao unir educação infantil, saúde familiar e práticas

pedagógicas, fortalecemos o desenvolvimento integral da criança, desde o

útero até a sala de aula. Assim, teremos crianças mais bem preparadas

para serem inseridas no ambiente escolar tendo assim resultados mais

satisfatórios.

 

 

 

(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga,

psicomotricista, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento

pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e

transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber

https://institutoneurosaber.com.br