A Doença de Parkinson recebeu esse nome em homenagem ao médico britânico James Parkinson, que, em 1817, descreveu pela primeira vez os principais sinais da condição no trabalho “An Essay on the Shaking Palsy”. Ele observou pacientes com tremores, lentidão dos movimentos e alterações posturais, contribuindo para o reconhecimento da doença. O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson será realizado em 11 de abril, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1998, cujo objetivo é combater estigmas, destacando a importância do tratamento adequado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Segundo os especialistas, a incidência da doença afeta principalmente idosos, porém cerca de 10% dos casos ocorrem em pessoas com menos de 45 anos.
O estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) estima que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais vivem atualmente com a Doença de Parkinson. Porém, o número pode mais que dobrar até 2060, superando 1,2 milhão de casos. Essa pesquisa foi publicada recentemente na revista científica The Lancet Regional Health – Americas – e também revelou que os homens são mais afetados que as mulheres — um comportamento observado também em outros países – e que as pessoas com Parkinson também podem ter outras doenças associadas, como acidente vascular cerebral (AVC) e depressão.
“Os principais sintomas incluem tremor em repouso, rigidez muscular e lentidão dos movimentos (bradicinesia), que podem comprometer atividades simples do dia a dia, como caminhar ou se vestir. Além dos sinais motores, a doença também pode causar sintomas não motores, como alterações do sono, depressão, constipação e perda do olfato, frequentemente presentes antes mesmo dos sintomas clássicos e que podem ser bastante impactantes para o paciente”, comenta a Drª Karoline Queiroz, neurologista e professora do IDOMED (Instituto de Educação Médica).
De acordo com a neurologista, apesar de ainda não ter cura, a Doença de Parkinson conta com tratamentos capazes de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O uso de medicamentos, como a levodopa, aliado à prática de atividade física, fisioterapia e acompanhamento multiprofissional, é fundamental no cuidado. Em casos selecionados, a estimulação cerebral profunda pode ser indicada, trazendo benefícios significativos aos pacientes.
Como a psicologia pode ser uma grande aliada no tratamento da Doença de Parkinson
“Ao longo do curso da doença, o acompanhamento psicológico auxilia o paciente a lidar com as mudanças físicas, funcionais e identitárias provocadas pelo Parkinson, fortalecendo recursos emocionais que contribuem para a preservação da autonomia, da autoestima e do sentido de vida. A psicoterapia favorece o enfrentamento emocional desde o momento do diagnóstico até as fases mais avançadas, oferecendo o acolhimento integral da experiência de adoecer”, afirma Angie Piqué, psicóloga e professora da Estácio.
Na visão da psicóloga, esse suporte é especialmente relevante no Parkinson, uma vez que o paciente, em geral, mantém consciência da própria condição e precisa conviver com limitações, frustrações e desafios cotidianos. O diagnóstico costuma desencadear sentimentos intensos, como medo, insegurança e profunda tristeza, muitas vezes acompanhados de incertezas sobre a evolução do quadro.
Para Angie Piqué, o psicólogo oferece um espaço seguro de escuta e validação, respeitando o tempo individual de adaptação. Além disso, a atuação psicológica se estende aos familiares e cuidadores, que também podem vivenciar sofrimento emocional, sobrecarga e dificuldades para compreender o ritmo e as necessidades do paciente.
“A orientação psicológica favorece a empatia, melhora a comunicação e contribui para que todos compreendam que o processo de aceitação da doença é gradual e compartilhado”, enfatiza a especialista.
Pessoas famosas com Parkinson
Ozzy Osbourne, nosso saudoso roqueiro, em 2020, também comunicou aos seus fãs que era portador da doença. Na ocasião, o músico também afirmou que a doença não era uma sentença de morte. Já Neil Diamond, ícone do folk americano, completou 85 anos agora em 2026, porém em 2018, anunciou sua aposentadoria dos palcos após revelar que estava com Parkinson, mas continua envolvido com projetos artísticos, incluindo o musical biográfico A Beautiful Noise.
Renata Capucci, apresentadora e jornalista, revelou que foi diagnosticada com a doença, em 2022. O ator Michael J. Fox, personagem principal do filme “De volta para o futuro” teve o mesmo diagnóstico em 1991, quando tinha ainda 29 anos, no auge de sua carreira. Porém, ele só falou neste assunto, publicamente, em 1998. O tema foi abordado com mais profundidade em sua autobiografia “Homem de sorte”. Já em 2000, ele criou uma fundação de pesquisa para tratamentos contra a doença.
Eduardo Dussek, cantor e compositor, hoje com 68 anos, revelou que convivia com o Parkinson há 10 anos. Na época, ele comentou que qualquer doença deve ser combatida com alegria e que o Parkinson não era castigo ou desgraça. O artista também realizou shows e palestras em associações de pacientes com Parkinson. Durante esses encontros, ele costumava dizer que é preciso aceitar a doença, não só essa, mas qualquer uma que vá acompanhá-la pelo resto da vida.



























