Firjan defende fortalecimento da credibilidade fiscal para destravar economia, após desaceleração do PIB em 2025

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O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encerrou 2025 com alta de 2,3%,

resultado que confirma o quinto ano consecutivo de expansão, mas revela

uma desaceleração frente à média de 3,6% registrada entre 2021 e 2024.

Esse desempenho deixou o Brasil abaixo da média de crescimento das

Economias Emergentes e em Desenvolvimento em 2025 (+4,4%). O principal

fator responsável por essa desaceleração é a elevada taxa de juros,

fator determinante tanto para estimular a demanda quanto para ampliar a

capacidade produtiva e tecnológica do país.

 

“Diante desse quadro de baixo investimento e limitações estruturais, a

consolidação de um ciclo de crescimento mais robusto torna-se ainda mais

dependente da construção de um ambiente macroeconômico estável. O Brasil

precisa reduzir estruturalmente a taxa de juros para voltar a crescer

mais”, alerta o presidente da Federação da Indústrias do Estado do Rio

de Janeiro (Firjan), Luiz Césio Caetano.

 

Segundo ele, isso passa, necessariamente, pelo fortalecimento da

credibilidade fiscal. “Sem previsibilidade nas contas públicas, o

investimento não reage”, complementa.

 

 

 

Desempenho do PIB

 

Pelo lado da oferta, a safra recorde de grãos impulsionou o setor

Agropecuário (+11,7%), compensando o ritmo mais lento da Indústria

(+1,4%) e dos Serviços (+1,8%). No setor industrial, o destaque foi a

indústria extrativa (+8,6%), que alcançou recordes históricos na

produção de petróleo e gás.

 

Em contrapartida, os segmentos de construção (0,5%) e de transformação

(-0,2%) apresentaram desempenho fraco, prejudicados pelas condições

adversas do comércio exterior e pela elevada taxa de juros — que

encerrou 2025 no maior patamar dos últimos 20 anos.

 

Depois de alcançar o pico de 21% do PIB em 2013, a taxa de investimento

caiu de forma acentuada durante a recessão de 2015–2016, atingindo o

menor nível da série. A recuperação observada nos anos seguintes foi

parcial e perdeu fôlego no período mais recente, refletindo o ambiente

de juros elevados e principalmente as incertezas fiscais.

 

“Com a taxa de investimento em 16,8% do PIB em 2025, ligeiramente abaixo

do registrado no ano anterior, o indicador segue bem distante da média

mundial (25,6%) e das economias emergentes (30,8%). Sem uma taxa de

investimento mais robusta, o Brasil limita sua capacidade de absorver

novas tecnologias e sustentar ganhos de produtividade e, com a taxa de

juros no nível atual, esse processo se torna proibitivo”, aponta o

economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart.