A próxima década será escrita à base de energia, dados e inteligência.
Em um mundo tensionado por crises de confiança, disputas tecnológicas e
mudanças climáticas, o novo estudo Macrotendências 2026–2027, da
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), se propõe
a funcionar como uma bússola para quem precisa planejar o futuro e agir
no presente, em meio à incerteza.
O levantamento foi apresentado hoje na abertura do Festival Futuros
Possíveis 2025, que ocorre em 23 e 24 de outubro, promovido pela Casa
Firjan, e mapeia as forças que estão redefinindo o cenário dos negócios,
da indústria e da sociedade. A publicação, desenvolvida pelo Lab de
Tendências da Casa Firjan, identifica dois vetores estruturais que
moldam esse novo tempo: a Soberania Tecnológica e a Convivência
Maquínica. Eles sustentam três grandes Macrotendências: Tecnocracia,
Robotecnia e Sensorium.
Baixe o estudo Macrotendências no link
A máquina do tempo da indústria
O estudo é descrito como uma verdadeira “máquina do tempo”, nas palavras
do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Mais do que uma leitura
sobre o amanhã, ele oferece um diagnóstico detalhado das forças que já
estão em curso e que exigem decisões no presente. “Num contexto de
policrises e transições simultâneas, compreender os vetores de mudança é
vital. O estudo de Macrotendências 2026-2027 atua revelando ao setor
produtivo onde estão as rupturas e como transformá-las em oportunidades
de crescimento sustentável”, defende.
A metodologia do Lab de Tendências combina mapeamento de sinais, análise
de impacto e curadoria interdisciplinar. O resultado é um panorama que
ajuda empresários e gestores a reduzir incertezas e identificar
oportunidades estratégicas.
“Enquanto empresas disputam infraestrutura para inteligência artificial,
países buscam soberania digital, e a escassez de profissionais
qualificados altera a forma como recrutamos e capacitamos equipes,
podemos entender a importância de enxergar e compreender essas forças
conjuntas para reduzir riscos e tomar decisões estratégicas”, explica
Carol Fernandes, coordenadora do estudo e do Lab de Tendências da Casa
Firjan.
Os Vetores de Mudança
Os vetores de mudança que orientam o relatório partem de uma premissa
clara: o poder global está migrando dos territórios físicos para os
territórios digitais. Resumidos em dois impulsionadores da mudança, a
Soberania Tecnológica trata do controle sobre infraestrutura, energia e
dados, considerados insumos críticos para a prosperidade de nações e
empresas. Já a Convivência Maquínica aborda a integração crescente entre
humanos e sistemas inteligentes, que passa a redefinir não só o
trabalho, mas também a forma como aprendemos nos relacionamos.
TECNOCRACIA: o poder das máquinas e a nova geopolítica
Impulsionado pelos vetores, o primeiro eixo das macrotendências
identificadas no estudo, a Tecnocracia, descreve a disputa, muitas vezes
silenciosa, por chips, energia e dados. A transformação digital acentuou
uma corrida global por recursos estratégicos como semicondutores,
energia limpa e profissionais qualificados.
O estudo mostra que, à medida que os data centers se multiplicam e a
inteligência artificial consome volumes inéditos de eletricidade,
energia se torna um ponto estratégico. Projeções internacionais indicam
que o consumo elétrico de data centers poderá mais que dobrar até o fim
da década.
Governos e gigantes tecnológicos já travam batalhas por infraestrutura e
regulação. Estados que conseguem oferecer energia limpa, estável e
abundante atraem os investimentos que moldarão a próxima fase da
economia de dados. “Vemos se construir uma nova ordem global que se
desenha a partir da infraestrutura tecnológica” sintetiza Carol.
Na frente diplomática, a governança global de IA começa a ganhar
contornos práticos. Iniciativas como o AI Act europeu e resoluções da
ONU sobre ética em IA refletem uma tentativa de transformar princípios
difusos em regras interoperáveis, capazes de equilibrar inovação,
segurança e direitos humanos.
A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, quer se tornar um dos dez
maiores polos de inteligência artificial do mundo até 2032. O projeto
Rio AI City prevê a construção de um complexo de data centers, operando
exclusivamente com energia limpa e renovável. A iniciativa, liderada
pela Elea Data Centers e apoiada pela Prefeitura do Rio, pretende atrair
bilhões de dólares em investimentos, gerar mais de 10 mil empregos
qualificados e consolidar a cidade como referência global em
infraestrutura digital.
Já a Meta anunciou, recentemente, um acordo com a Constellation Energy
para manter um dos reatores da concessionária operando por 20 anos, no
primeiro acordo desse tipo firmado pela empresa com uma usina nuclear.
Em 2027, o contrato de compra de energia da Meta passará a apoiar a
usina no relicenciamento e nas operações, permitindo também que a
Constellation aumente a capacidade da usina.
ROBOTECNIA: o trabalho em reprogramação
A segunda macrotendência, Robotecnia, investiga a nova divisão de
tarefas entre humanos e algoritmos. Com o avanço da automação e o
envelhecimento populacional, o relatório aponta que a IA está
reconfigurando o mercado de trabalho, substituindo funções operacionais
e ampliando a necessidade de recapacitação contínua.
Funções de entrada e tarefas repetitivas já estão sendo absorvidas por
assistentes de IA, enquanto cresce a demanda por profissionais com
fluência tecnológica, capazes de dialogar com sistemas inteligentes e
usar máquinas como extensão de suas capacidades cognitivas.
A recapacitação se torna uma infraestrutura estratégica dentro das
empresas, tão essencial quanto energia e conectividade.
Ecossistemas internos de aprendizagem, laboratórios de protótipos e
academias corporativas passam a ser ativos de competitividade. “Formar
profissionais fluentes com máquinas é criar um novo idioma corporativo”,
destaca a coordenadora.
A UBTech, na China, apresentou o Walker S2, o primeiro robô humanoide
capaz de trocar suas baterias sozinho em cerca de três minutos e
retornar à linha de montagem, operando de forma autônoma.
SENSORIUM: quando a tecnologia toca os sentidos
A terceira macrotendência, Sensorium, aponta para a fusão crescente
entre tecnologia e percepção humana. A interação por voz, gesto e toque
transforma a linguagem em uma nova interface dominante e inaugura uma
sociedade pós-literata, em que a oralidade e a sensorialidade ganham
protagonismo.
O relatório descreve dois movimentos simultâneos: máquinas que ganham
sentidos sintéticos, capazes de captar odores e ter sensações de toque;
e humanos que desenvolvem percepções ciborgue, por meio de lentes de
realidade aumentada ou dispositivos que simulam sabores e estímulos
táteis.
Essa simbiose exige novas competências: empatia, pensamento crítico e
ética aplicada à tecnologia. Trata-se, segundo Carol, de uma
“alfabetização emocional e digital” que permitirá coexistir com sistemas
cada vez mais autônomos.
O projeto Socioemocional em Minas Gerais, proposto pela Secretaria
estadual de Educação, implementará a Metodologia Emoção, Aprendizagem e
Inteligência em cerca de 800 escolas, focando no desenvolvimento de
habilidades socioemocionais, como comunicação, criatividade e
colaboração.
(Re)encantar o Futuro
O lançamento oficial do Estudo Macrotendências 2026–2027 ocorre no
Festival Futuros Possíveis 2025. Com o tema “(Re)encantar o Futuro”, o
evento reunirá nomes do Brasil e do mundo em debates sobre inovação,
ética e o papel humano em um mundo hiperconectado, em busca do que deve
mobilizar como indivíduos, empresas e sociedade.
A programação está organizada em três eixos: (Re)encontrar Sentidos,
(Re)humanizar Relações e (Re)configurar Máquinas, e incluirá painéis
sobre temas como “Inovação, dados e poder: a nova ordem global” e
“Robôs, hiper digitalização e a próxima era da indústria”.
“Mais do que um lançamento, o evento propõe uma pausa para reflexão:
diante de tantas incertezas, reencantar o futuro é, antes de tudo, um
ato de estratégia”, finaliza Carol.
Baixe o estudo Macrotendências no link
Serviço
Festival Futuros Possíveis 2025 – Reencantar o Futuro
Casa Firjan – Rua Guilhermina Guinle, 211, Botafogo – Rio de Janeiro
23 e 24 de outubro de 2025
Programação completa e inscrições:


























