Máquina do tempo da indústria: estudo da Firjan aponta como energia, dados e IA reconfiguram setor produtivo até 2027

0
168

A próxima década será escrita à base de energia, dados e inteligência.

Em um mundo tensionado por crises de confiança, disputas tecnológicas e

mudanças climáticas, o novo estudo Macrotendências 2026–2027, da

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), se propõe

a funcionar como uma bússola para quem precisa planejar o futuro e agir

no presente, em meio à incerteza.

 

O levantamento foi apresentado hoje na abertura do Festival Futuros

Possíveis 2025, que ocorre em 23 e 24 de outubro, promovido pela Casa

Firjan, e mapeia as forças que estão redefinindo o cenário dos negócios,

da indústria e da sociedade. A publicação, desenvolvida pelo Lab de

Tendências da Casa Firjan, identifica dois vetores estruturais que

moldam esse novo tempo: a Soberania Tecnológica e a Convivência

Maquínica. Eles sustentam três grandes Macrotendências: Tecnocracia,

Robotecnia e Sensorium.

 

Baixe o estudo Macrotendências no link

https://www.firjan.com.br/data/files/28/A2/99/E3/CA11A91031B91689D8284EA8/Report-Macrotendencias-2026-2027.pdf

 

 

A máquina do tempo da indústria

 

O estudo é descrito como uma verdadeira “máquina do tempo”, nas palavras

do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Mais do que uma leitura

sobre o amanhã, ele oferece um diagnóstico detalhado das forças que já

estão em curso e que exigem decisões no presente. “Num contexto de

policrises e transições simultâneas, compreender os vetores de mudança é

vital. O estudo de Macrotendências 2026-2027 atua revelando ao setor

produtivo onde estão as rupturas e como transformá-las em oportunidades

de crescimento sustentável”, defende.

 

A metodologia do Lab de Tendências combina mapeamento de sinais, análise

de impacto e curadoria interdisciplinar. O resultado é um panorama que

ajuda empresários e gestores a reduzir incertezas e identificar

oportunidades estratégicas.

 

“Enquanto empresas disputam infraestrutura para inteligência artificial,

países buscam soberania digital, e a escassez de profissionais

qualificados altera a forma como recrutamos e capacitamos equipes,

podemos entender a importância de enxergar e compreender essas forças

conjuntas para reduzir riscos e tomar decisões estratégicas”, explica

Carol Fernandes, coordenadora do estudo e do Lab de Tendências da Casa

Firjan.

 

 

Os Vetores de Mudança

 

Os vetores de mudança que orientam o relatório partem de uma premissa

clara: o poder global está migrando dos territórios físicos para os

territórios digitais. Resumidos em dois impulsionadores da mudança, a

Soberania Tecnológica trata do controle sobre infraestrutura, energia e

dados, considerados insumos críticos para a prosperidade de nações e

empresas. Já a Convivência Maquínica aborda a integração crescente entre

humanos e sistemas inteligentes, que passa a redefinir não só o

trabalho, mas também a forma como aprendemos nos relacionamos.

 

 

TECNOCRACIA: o poder das máquinas e a nova geopolítica

 

Impulsionado pelos vetores, o primeiro eixo das macrotendências

identificadas no estudo, a Tecnocracia, descreve a disputa, muitas vezes

silenciosa, por chips, energia e dados. A transformação digital acentuou

uma corrida global por recursos estratégicos como semicondutores,

energia limpa e profissionais qualificados.

 

O estudo mostra que, à medida que os data centers se multiplicam e a

inteligência artificial consome volumes inéditos de eletricidade,

energia se torna um ponto estratégico. Projeções internacionais indicam

que o consumo elétrico de data centers poderá mais que dobrar até o fim

da década.

 

Governos e gigantes tecnológicos já travam batalhas por infraestrutura e

regulação. Estados que conseguem oferecer energia limpa, estável e

abundante atraem os investimentos que moldarão a próxima fase da

economia de dados. “Vemos se construir uma nova ordem global que se

desenha a partir da infraestrutura tecnológica” sintetiza Carol.

 

Na frente diplomática, a governança global de IA começa a ganhar

contornos práticos. Iniciativas como o AI Act europeu e resoluções da

ONU sobre ética em IA refletem uma tentativa de transformar princípios

difusos em regras interoperáveis, capazes de equilibrar inovação,

segurança e direitos humanos.

 

A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, quer se tornar um dos dez

maiores polos de inteligência artificial do mundo até 2032. O projeto

Rio AI City prevê a construção de um complexo de data centers, operando

exclusivamente com energia limpa e renovável. A iniciativa, liderada

pela Elea Data Centers e apoiada pela Prefeitura do Rio, pretende atrair

bilhões de dólares em investimentos, gerar mais de 10 mil empregos

qualificados e consolidar a cidade como referência global em

infraestrutura digital.

 

Já a Meta anunciou, recentemente, um acordo com a Constellation Energy

para manter um dos reatores da concessionária operando por 20 anos, no

primeiro acordo desse tipo firmado pela empresa com uma usina nuclear.

Em 2027, o contrato de compra de energia da Meta passará a apoiar a

usina no relicenciamento e nas operações, permitindo também que a

Constellation aumente a capacidade da usina.

 

 

ROBOTECNIA: o trabalho em reprogramação

 

A segunda macrotendência, Robotecnia, investiga a nova divisão de

tarefas entre humanos e algoritmos. Com o avanço da automação e o

envelhecimento populacional, o relatório aponta que a IA está

reconfigurando o mercado de trabalho, substituindo funções operacionais

e ampliando a necessidade de recapacitação contínua.

 

Funções de entrada e tarefas repetitivas já estão sendo absorvidas por

assistentes de IA, enquanto cresce a demanda por profissionais com

fluência tecnológica, capazes de dialogar com sistemas inteligentes e

usar máquinas como extensão de suas capacidades cognitivas.

A recapacitação se torna uma infraestrutura estratégica dentro das

empresas, tão essencial quanto energia e conectividade.

 

Ecossistemas internos de aprendizagem, laboratórios de protótipos e

academias corporativas passam a ser ativos de competitividade. “Formar

profissionais fluentes com máquinas é criar um novo idioma corporativo”,

destaca a coordenadora.

 

A UBTech, na China, apresentou o Walker S2, o primeiro robô humanoide

capaz de trocar suas baterias sozinho em cerca de três minutos e

retornar à linha de montagem, operando de forma autônoma.

 

 

 

SENSORIUM: quando a tecnologia toca os sentidos

 

A terceira macrotendência, Sensorium, aponta para a fusão crescente

entre tecnologia e percepção humana. A interação por voz, gesto e toque

transforma a linguagem em uma nova interface dominante e inaugura uma

sociedade pós-literata, em que a oralidade e a sensorialidade ganham

protagonismo.

 

O relatório descreve dois movimentos simultâneos: máquinas que ganham

sentidos sintéticos, capazes de captar odores e ter sensações de toque;

e humanos que desenvolvem percepções ciborgue, por meio de lentes de

realidade aumentada ou dispositivos que simulam sabores e estímulos

táteis.

 

Essa simbiose exige novas competências: empatia, pensamento crítico e

ética aplicada à tecnologia. Trata-se, segundo Carol, de uma

“alfabetização emocional e digital” que permitirá coexistir com sistemas

cada vez mais autônomos.

 

O projeto Socioemocional em Minas Gerais, proposto pela Secretaria

estadual de Educação, implementará a Metodologia Emoção, Aprendizagem e

Inteligência em cerca de 800 escolas, focando no desenvolvimento de

habilidades socioemocionais, como comunicação, criatividade e

colaboração.

 

 

 

(Re)encantar o Futuro

 

O lançamento oficial do Estudo Macrotendências 2026–2027 ocorre no

Festival Futuros Possíveis 2025. Com o tema “(Re)encantar o Futuro”, o

evento reunirá nomes do Brasil e do mundo em debates sobre inovação,

ética e o papel humano em um mundo hiperconectado, em busca do que deve

mobilizar como indivíduos, empresas e sociedade.

 

A programação está organizada em três eixos: (Re)encontrar Sentidos,

(Re)humanizar Relações e (Re)configurar Máquinas, e incluirá painéis

sobre temas como “Inovação, dados e poder: a nova ordem global” e

“Robôs, hiper digitalização e a próxima era da indústria”.

“Mais do que um lançamento, o evento propõe uma pausa para reflexão:

diante de tantas incertezas, reencantar o futuro é, antes de tudo, um

ato de estratégia”, finaliza Carol.

 

Baixe o estudo Macrotendências no link

https://www.firjan.com.br/data/files/28/A2/99/E3/CA11A91031B91689D8284EA8/Report-Macrotendencias-2026-2027.pdf

 

 

 

 

Serviço

Festival Futuros Possíveis 2025 – Reencantar o Futuro

Casa Firjan – Rua Guilhermina Guinle, 211, Botafogo – Rio de Janeiro

23 e 24 de outubro de 2025

Programação completa e inscrições:

https://futurospossiveis.casafirjan.com.br/home