O aumento da obesidade entre pessoas idosas tem se tornado uma
preocupação crescente para profissionais da saúde em todo o mundo. Dados
da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a obesidade
praticamente triplicou desde 1975 e, atualmente, cerca de 650 milhões de
adultos vivem com a condição. No Brasil, levantamentos do Ministério da
Saúde indicam que mais da metade da população adulta está acima do peso,
cenário que também se reflete entre pessoas com mais de 60 anos. Nessa
fase da vida, o excesso de gordura corporal pode trazer consequências
ainda mais severas, comprometendo a autonomia, a mobilidade e a
qualidade de vida.
Entre os principais riscos associados à obesidade na terceira idade
estão o agravamento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2,
hipertensão arterial e problemas cardiovasculares. Além disso, o excesso
de peso aumenta o impacto sobre as articulações, favorecendo dores
crônicas, limitações de movimento e maior risco de quedas. O médico
especialista em envelhecimento e cuidados paliativos, Dr. Victor Hugo da
Veiga, explica que o problema vai além da estética e exige atenção
especial no cuidado com a saúde do idoso. “A obesidade no idoso não é
apenas uma questão de peso. Ela está diretamente ligada à perda de
funcionalidade, ao aumento de doenças associadas e à redução da
independência nas atividades do dia a dia”, afirma.
Outro fator preocupante é a chamada obesidade sarcopênica, condição
caracterizada pela combinação entre excesso de gordura e perda de massa
muscular, algo relativamente comum no envelhecimento. Esse quadro pode
gerar fraqueza, dificuldade para caminhar e maior vulnerabilidade a
internações hospitalares. De acordo com especialistas, a redução da
atividade física, mudanças hormonais e hábitos alimentares inadequados
contribuem para esse cenário. “Com o envelhecimento, o corpo
naturalmente perde massa muscular.
Quando isso ocorre junto com o acúmulo de gordura, o idoso fica mais
frágil, com mais risco de quedas e de complicações clínicas”, explica
Dr. Victor Hugo da Veiga.
A obesidade também pode impactar diretamente a saúde mental e emocional
do idoso. A limitação física, associada a dificuldades de mobilidade,
pode levar ao isolamento social, redução das atividades de lazer e até
quadros de ansiedade ou depressão. Além disso, o excesso de peso
dificulta o controle de diversas doenças crônicas, aumentando a
necessidade de medicamentos e acompanhamentos médicos mais frequentes.
“Manter um peso adequado ajuda a preservar a autonomia do idoso e
contribui para um envelhecimento mais saudável. Pequenas mudanças de
hábitos já podem trazer benefícios importantes”, destaca o médico.
Especialistas reforçam que o acompanhamento multidisciplinar é
fundamental para prevenir e tratar a obesidade nessa fase da vida.
Alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas
adaptadas, acompanhamento médico e atenção à saúde mental fazem parte de
uma abordagem completa. Para Dr. Victor Hugo da Veiga, o cuidado com o
peso deve ser encarado como uma estratégia de promoção de saúde e
longevidade. “Envelhecer com qualidade significa manter a capacidade de
viver com independência, mobilidade e bem-estar. Controlar o peso é uma
das medidas mais importantes para que o idoso tenha uma vida mais ativa
e saudável”, conclui.
Serviço
Obesidade em idosos: um risco silencioso que compromete saúde e
qualidade de vida
Médico especialista em envelhecimento e cuidados paliativos: Dr. Victor
Hugo da Veiga
Instagram: @dr.victorveigajardim



























