Não é sobre estética ou padrões impostos. É sobre saúde. A obesidade
infantil é uma doença crônica e complexa que envolve um acúmulo
excessivo de gordura no corpo. Esse problema é, infelizmente, uma
pandemia global e os números mostram que há a necessidade de agir
imediatamente para combater esse mal. O médico pediatra Antonio Carlos
Turner, diretor técnico da rede de clínicas Total Kids, explica por quê
mães, pais e responsáveis devem se preocupar em combater a obesidade
infantil.
“Uma criança obesa tem uma chance muito maior de ser um adulto obeso,
elevando o risco de, ainda na infância, desenvolver doenças crônicas
típicas de adultos, como diabetes tipo 2, pressão alta (hipertensão
arterial), colesterol e triglicerídeos altos, problemas do coração e até
alguns tipos de câncer. Queremos que as crianças tenham uma vida longa e
saudável, então é preciso prevenir essa doença que é a obesidade”, diz o
especialista.
Mas quais são os principais fatores para que os pequenos estejam
apresentando excesso de gordura no corpo?
“A obesidade não é culpa de uma única coisa. É uma mistura de fatores. A
genética é um deles. Filhos de pais com obesidade podem ter uma
predisposição maior. A vida moderna trouxe desafios como alimentos
ultraprocessados, ricos em calorias, açúcares, gorduras e sal, como os
biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e comidas prontas. O
sedentarismo e o uso excessivo das telas também preocupam porque os
pequenos trocado as brincadeiras, os esportes, pelos jogos no
computador, na TV ou no celular. Outra questão é dormir menos do que o
recomendado, o que altera os hormônios da fome e da saciedade,
estimulando o apetite”, explica o médico pediatra Antonio Carlos Turner,
diretor técnico da rede de clínicas Total Kids, que tem unidades em
Bonsucesso, Olaria, ParkShopping Campo Grande e ParkShopping
Jacarepaguá.
A boa notícia é que dá para prevenir essa doença. Confira um guia
prático para combater a obesidade infantil.
- Boa gestação: o cuidado começa antes mesmo do bebê nascer. A saúde da
mãe na gestação (alimentação equilibrada e ganho de peso adequado) é
fundamental para reduzir o risco de obesidade no futuro filho. Dica: as
consultas de pré-natal são indispensáveis, assim como as orientações do
médico obstetra sobre nutrição e exercícios físicos seguros na gravidez.
- Aleitamento materno: o leite materno é um fator protetor comprovado
contra a obesidade infantil. Ele possui componentes que regulam o
metabolismo da criança e o ato de mamar ajuda o bebê a reconhecer os
próprios sinais de fome e saciedade. Dica: as mães devem amamentar
exclusivamente até os 6 meses de vida, se possível, e continuar
amamentando por pelo menos dois anos ou mais.
- Alimentação saudável: a introdução de alimentos após o bebê completar
6 meses deve ser feita com alimentos in natura e minimamente processados
(frutas, legumes, verduras, feijão, arroz, carnes). Dicas: evite açúcar
e adoçantes antes dos 2 anos; reduza drasticamente os alimentos
ultraprocessados; ofereça variedade de cores e sabores; repita o
alimento várias vezes, se a criança recusar. O paladar é um treino! É
fundamental também que mães, pais e responsáveis façam as refeições à
mesa, em família, em ambiente tranquilo e longe das telas.
- Menos telas, mais movimento: o tempo excessivo em frente às telas
(TV, celular, tablete, computador) está diretamente ligado ao
sedentarismo e ao aumento de peso. Além disso, as telas expõem as
crianças à publicidade de alimentos não saudáveis.
Recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):
* Menores de 2 anos: não é recomendado o uso de telas.
* 2 a 5 anos: máximo de 1 hora por dia.
* 6 a 10 anos: máximo de 1 a 2 horas por dia (fora da escola).
Movimento: estimula 60 minutos ou mais de atividade física moderada a
vigorosa por dia. Brincar livremente, correr, pular, andar de bicicleta
e praticar esportes são essenciais.
- Rotina de sono. Dormir o tempo adequado é crucial. A privação de sono
aumenta os hormônios da fome (grelina) e diminui os da saciedade, além
de causar indisposição para brincar e se exercitar. Dicas: estabeleça
horários fixos para dormir e acordar, mesmo nos finais de semana; evite
telas (celular, tablet) pelo menos uma hora antes de dormir; mantenha o
quarto escuro, silencioso e confortável.
- Acompanhamento pediátrico: o médico pediatra deve ser o maior aliado.
As consultas regulares são essenciais para monitorar o peso e o
crescimento da criança, permitindo a intervenção precoce se for
necessário.
Antonio Carlos Turner
Médico pediatra e Coordenador da Rede de Clínicas Total Kids
CRM 52-46851-4
RQE 49635.



























