Projeto Praça Onze Maravilha vai transformar a região da Praça XI e do Sambódromo do Rio

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O prefeito do Rio, Eduardo Paes, apresentou, nesta quinta-feira (20/11),

na quadra da escola de samba Estácio de Sá, na Cidade Nova, o projeto

Praça Onze Maravilha, um conjunto de ações que vão transformar a região

e o entorno do Sambódromo, com investimentos de cerca de R$ 1,75 bilhão.

O projeto será financiado com recursos privados e tem como inspiração o

Porto Maravilha, que requalificou com investimentos privados um

importante espaço público, com valorização do patrimônio histórico e

cultural, promoção da habitação e melhoria da mobilidade urbana.

 

A transformação começa pela demolição do Viaduto 31 de Março e a

instalação da Biblioteca dos Saberes, projetada pelo arquiteto Francis

Kère, vencedor do prémio Pritzker, considerado o prêmio Nobel da

Arquitetura.

 

O projeto reforça a importância da Praça Onze e da Pequena África como

territórios de memória, cultura e mobilidade.

 

Está previsto no projeto a abertura de novas vias e a implantação de um

mergulhão entre as ruas Frei Caneca e Salvador de Sá, com a criação de

uma praça sobre a estrutura. A intervenção facilita os acessos entre os

bairros e simplifica os deslocamentos na região.

 

No entorno da Marquês de Sapucaí, as calçadas serão mais largas e

permeáveis, com melhorias na drenagem, nova iluminação e mais áreas

verdes. O Sambódromo permanece preservado em sua estrutura, porém com

acessos modernizados e suporte logístico mais eficiente, tanto no

período do Carnaval quanto no dia a dia. Áreas subutilizadas serão

ocupadas por novas unidades residenciais, com comércio e serviços no

térreo.

 

Para viabilizar as intervenções, a Prefeitura enviará um Projeto de Lei

à Câmara de Vereadores, que propõe a criação da Área de Especial

Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha. A nova área, de 2,5

milhões de metros quadrados, engloba ruas dos bairros Catumbi, Estácio,

Cidade Nova e Praça XI, como Rua Frei Caneca, Rua dos Inválidos, Av.

Paulo de Frontin, Praça da República, Praça da Cruz Vermelha e Av.

Presidente Vargas.

 

A lei da AEIU traz regras urbanísticas específicas para a região, como

gabarito e taxa de ocupação, para permitir a construção dos residenciais

e a oferta de serviços para os novos moradores. Somente na Praça Onze

Maravilha, serão construídas 37,5 mil unidades residenciais nos próximos

25 anos, com a expectativa de atrair mais de cem mil moradores.

 

Os investimentos privados serão realizados por meio de contratos de

concessão e Parcerias Público-Privadas (PPPs), que mesclam diferentes

instrumentos, como potencial construtivo e pagamento de outorga onerosa.

Além disso, o Município irá criar um fundo imobiliário com imóveis e

terrenos públicos que poderão ser utilizados na operação.

 

A proposta será discutida em audiência pública ainda neste ano, e o

projeto de lei será enviado à Câmara Municipal até dezembro.

 

A Biblioteca dos Saberes, projetada por Francis Kéré, vencedor do Prêmio

Pritzker, será um dos principais equipamentos culturais do Rio nas

próximas décadas. Com mais de 40 mil metros quadrados, o edifício terá

cobogós, pilotis e jardins suspensos que conferem leveza a uma

arquitetura de escala monumental.

 

O espaço será dedicado à memória, ao conhecimento, às expressões

populares e à biodiversidade, reunindo teatro, anfiteatro, cozinhas,

salas de estudo e áreas expositivas. No centro do edifício, uma torre

circular de quatro andares aberta à luz natural simboliza a

universalidade do conhecimento. Inspirada no manto Tupinambá e nas

arvores da vida, a torre reforça que cultura e saber são instrumentos de

transformação e pertencimento.

 

A Biblioteca integrará acervos de iniciativas, como o Museu de Imagens

do Povo, e adotará modelos de mediação cultural inspirados em

experiências internacionais, como o V&A East Museum, em Londres. O local

escolhido, o Terreirão do Samba, ao lado do monumento a Zumbi dos

Palmares, está no coração da Pequena África, território onde nasceu o

samba e a identidade cultural da cidade. Construir ali a Biblioteca dos

Sabres reafirma que o patrimônio intelectual do Rio também nasce da

cultura popular e das ruas.

 

A Biblioteca dos Saberes é o principal legado do Rio Capital Mundial do

Livro e tem como objetivo fundamentar o processo de democratização do

livro e da bibliodiversidade na cidade do Rio de Janeiro. Coordena a

integração entre bibliotecas públicas e comunitárias, das melhores

práticas em urbanismo e infraestrutura à composição dos acervos da

cidade.

 

O Praça XI Maravilha se conecta ao processo de revitalização da Zona

Portuária do Rio, iniciado em 2009, quando foi aprovada a lei criando o

Porto Maravilha. Em 2013, a Prefeitura iniciou umas das fases mais

ambiciosas desse projeto: a implosão do Elevado da Perimetral,

finalizada no ano seguinte. O projeto de revitalização urbana da Zona

Portuária teve investimentos privados de R$ 8,9 bilhões, na área

original de 5 milhões de metros quadrados. Hoje, a área total do Porto

Maravilha tem 8,7 milhões de metros quadrados, com a expansão para a

região de São Cristóvão.