Trissomia do Cromossomo 21: Inclusão escolar exige mais do que presença em sala de aula Luciana Brites*

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O Dia Internacional da Trissomia do Cromossomo 21 (T21) é celebrado em

21 de março, data que representa a presença de três cromossomos no par

  1. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data tem como

objetivo combater o preconceito, promover a conscientização e ampliar

oportunidades de inclusão, assegurando direitos fundamentais como acesso

à educação, saúde e trabalho.

 

Embora seja mais conhecida como Síndrome de Down, o termo mais adequado

é Trissomia do Cromossomo 21 ou T21, pois descreve a condição genética

real ao invés do nome do médico.  A condição não é uma doença, mas pode

estar associada a algumas particularidades físicas, cognitivas e de

saúde.

 

O diagnóstico pode ser realizado durante a gestação, por meio de exames

de pré-natal. Entre as características físicas mais comuns estão baixa

estatura, olhos amendoados, face achatada, dedos curtos e língua

proeminente.

 

As condições de saúde mais frequentes são atraso no desenvolvimento,

cardiopatias congênitas, problemas auditivos, visuais e na coluna,

alterações na tireoide e distúrbios neurológicos. O acompanhamento

médico multidisciplinar é fundamental para a qualidade de vida.

 

Na inclusão escolar, pessoas com T21 podem apresentar Deficiência

Intelectual, que pode gerar dificuldades na aprendizagem relacionadas à

linguagem, raciocínio lógico e memória. Esses aspectos influenciam no

processo de escolarização e tornam essencial a adaptação de estratégias

pedagógicas às necessidades individuais.

 

No processo de alfabetização, existe o mito de que métodos baseados no

reconhecimento visual de palavras inteiras sejam mais eficazes.

Pesquisas recentes indicam que a instrução fônica, com ensino

sistemático e explícito das relações entre letras e sons, apresenta

melhores resultados a longo prazo, mesmo que seja mais lento e precise

de mais repetição.

 

Outras orientações pedagógicas incluem o uso de lápis mais grossos ou

adaptadores, devido à hipotonia muscular, dificuldade na coordenação

motora fina. Na matemática use materiais concretos, pois ela exige

capacidade de abstração e raciocínio lógico. Esses recursos ajudam a

contextualizar e compreender.

 

Incluir não é garantir a presença na sala de aula, mas oferecer

condições necessárias para que todos aprendam, participem e se

desenvolvam. Conviver com pessoas com a Trissomia do Cromossomo 21

reforça que a diversidade é parte essencial de uma educação mais justa e

que todas as crianças possuem necessidades educacionais que devem ser

respeitadas e atendidas.

 

 

 

(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga,

psicomotricista, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento

pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e

transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber

https://institutoneurosaber.com.br