GRES Paraíso do Tuiutí divulgou sinopse do enredo para o Carnaval 2020

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A Escola de Samba Paraíso do Tuiuti divulgou nesta segunda-feira 
(13/05) a sinopse de seu enredo para o Carnaval 2020. O enredo será 
desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo.

Confira a sinopse.

Em honra e glória a São Sebastião, valoroso padroeiro e defensor da 
cidade do Rio de Janeiro e da nossa escola, o G.R.E.S. PARAÍSO DO 
TUIUTI tem a honra de apresentar:

O SANTO E O REI: ENCANTARIAS DE SEBASTIÃO

“Oh, meu rei de fantástica memória
Passo a vida a rezar tua história.
Tão verdadeira e sobrenatural…
Eu rezo a tua infância aventureira
Tua morte num trágico areal.
Rezo a tua existência transcendente
Numa ilha de névoa, ao Sol nascente,
Encantada nos longes da Natura…
E rezo tua vinda anunciada,
Dentre as brumas daquela madrugada
Que virá dissipar a noite escura”

Oração Sebastianista (Teixeira de Pascoaes)

I – O SANTO VENERÁVEL E O REI DESEJADO
Que venha Sebastião, O DESEJADO, assim nomeado por ser a esperança de 
sucessão da dinastia que guiou o reino lusitano ao apogeu.
Que venha o divino rei-menino de Portugal, futuro regente do Império 
Mundial Cristão!
MAJESTOSO, GUERREIRO, PUJANTE!
Que venha Sebastião, ornado de FESTAS DO POVO e de JÚBILO DOS DEUSES. 
Cumpram-se todas as profecias, abram-se os livros da boa aventurança.
O REI NASCEU! O REI NASCEU!
Na data mística de 20 de janeiro, Sebastião foi ENCANTADO pelo 
espírito de coragem e fé do venerável Santo que lhe deu o nome.
Assim traçaram-se as flechas de bom e mau auguro sobre DOM SEBASTIÃO.
O jovem Rei cresceu ouvindo as histórias de bravura e martírio em nome 
da reconquista da Península Ibérica.
Um dia, conduziu seu exército rumo à última cruzada.
Marrocos era o destino. Vencer os mouros, uma obsessão.

II – O REI ENCOBERTO
Em súplicas, Sebastião, o Rei, rogou proteção ao padroeiro.
Sebastião, o Santo, concedeu-lhe coragem para prosseguir: “Tua glória 
correrá muito além da própria vida. Irá se espalhar por mundos e eras 
que nunca sonhaste”.
Fez-se então ungido com os paramentos banhados pelas glórias dos antepassados.
E assim foi mapeada a incerta campanha. Era hora de partir com a sua 
esquadra rumo a ALCÁCER QUIBIR.
Deu-se a sangrenta batalha no deserto do Norte africano contra o 
exército do Sultão.
Destemidos, Santo e Rei empunharam a cruz contra a cimitarra.
Postas frente a frente, tropas ergueram o pavilhão da ordem de Cristo 
contra a bandeira da crescente lua e brilhante estrela.
Cavalarias avançaram-se em mortal conflito. Armas ao céu, o rei se 
lançou à glória derradeira.
Nas areias do Marrocos, Dom Sebastião desapareceu…
E veio o nevoeiro. Com ele, a esperança de que um dia o Rei iria 
regressar para reviver o apogeu do seu povo.
“Ele há de voltar! Ele há de voltar…”

III – O REI SUBMERSO
E o Rei fez morada no mar…
Navegou em triunfo a bordo da nau mística com a tropa que, com seu 
líder, sumiu no areal marroquino.
Aportou nas águas do Maranhão, em imponente cortejo arrebatado.
Ergueu seus domínios na costa do Atlântico, indo tomar lugar na corte 
dos encantados.
Com barbatanas bordadas de escamas cintilantes, ascendeu ao régio 
trono marinho.
No suntuoso PALÁCIO DE CRISTAL, suas joias reais eram cravejadas de 
pérolas, conchas e búzios.
Seu paraíso marinho era cercado de majestosos seres encantados que 
habitavam o fundo do oceano.
A lenda do Rei submerso inundou o imaginário do povo que vivia na 
beira do mar.
Na busca pelo Encoberto, foi o povo que se encantou em névoa de maré…

IV – O REI ENCANTADO
Nas torrentes das águas sagradas, a lenda sobre o Rei se espalhou.
Entre batuques vindos dos terreiros de mina se dizia que, em noite de 
lua cheia, andava pela praia um TOURO NEGRO. E esse touro era Dom 
Sebastião.
O bravo que se atrevesse a fincar uma espada reluzente na testa do 
animal desfaria o encanto, cumprindo a profecia:
“REI / É REI DOM SEBASTIÃO / QUEM DESENCANTAR LENÇÓIS / BOTA ABAIXO O 
MARANHÃO”
Mas o desfazimento do encanto era em si outro encanto.
Assim, na crença, na magia e nos cânticos, o Rei foi coroado no couro 
do tambor.
Dançou com os deuses, macerou as ervas e bebeu dos segredos das matas. 
Incorporou-se aos cultos afro-ameríndios.
Entranhou-se, em alumbramento, na alma dos cantadores e poetas populares.
Da sua capa real, ornada de brilho e sonho, veio a inspiração para 
tecerem as vestes do bumba-meu-boi.
Encantado, Dom Sebastião se fez o espírito que o povo desejava para 
conduzi-lo por novas cruzadas…

V – O REI DOS FLAGELADOS
Nos areais do sertão nordestino, o Rei Encoberto regressou com o 
encanto de um monarca restaurador.
O povo, roto nas batalhas de existir, nada esperava dos homens. 
Confiava tudo a um milagre de Deus.
Na busca pelo paraíso terreal, a crença dos sertanejos esculpiu o 
espírito do Rei em alma de santo.
Na Serra do Rodeador, em Pernambuco, a insurreição se deu. Mas foi 
esmagada pelo poder implacável da Coroa.
Anos mais tarde, na localidade da Pedra Bonita, em São José do 
Belmonte, o beato João Antônio ocultou-se no alto da montanha com seu 
séquito de flagelados.
Acreditavam que Dom Sebastião iria ressurgir das fendas das pedras 
para restaurar a justiça social sempre prometida e nunca alcançada.
Mas para isso era preciso lavar as rochas com sangue para desencantar o Rei.
Houve nova batalha. O terror se espalhou no lajedo. Morreu-se para não matar.
O Rei não veio. Ressurgiu n’outro arraial.
Em Canudos, Antônio Conselheiro liderou seu povo que o seguia no 
limite entre a fé e o delírio messiânico, evocando a volta do monarca.
“O SERTÃO VAI VIRAR MAR E HAVERÁ UMA GRANDE CHUVA DE ESTRELAS”
Canudos, Pedra Bonita, Rodeador… tudo sucumbiu. Mas não a glória do 
Santo-Rei Sebastião, que renasce ao poder do encanto de quem nele 
acreditar.

VI – O SANTO PADROEIRO E O POVO-REI LIBERTADOR
A cada episódio de luta e dor, eis a certeza de que o espírito 
sebastianista continua a guiar o povo na eterna busca pelo seu próprio 
rumo.
Dizem que o Rei vive adormecido nos domínios encantados de São 
Sebastião, terra emergida a flecha e fogo.
A muy-heroica cidade fundada durante o reinado de Sebastião, o Desejado.
Na data mística de 20 de janeiro, o nobre Estácio de Sá foi flechado 
em batalha com os índios.
Conta a lenda que São Sebastião lutava ao seu lado.
O bravo guerreiro lusitano se encantou junto com sua cidade, que um 
dia se partiu. E hoje se retalhou…
Recanto ferido, que precisa se regenerar.
Mas um dia há de vir o verdadeiro Rei.
Que das brumas da memória se levanta e se ergue
MAJESTOSO, GUERREIRO, PUJANTE!
É o POVO, senhor de si, enfim desencantado
Que na bravura do Rei por ele mesmo despertado,
Arrancará as flechas do peito do padroeiro
E Sebastião, enfim, há de restaurar o que lhe é devido:
O trono do Rei e o altar do Santo.
E a paz enfim triunfará
Na cidade cansada de tantas batalhas…
Mas nunca da luta!
(Ele há de vir. Ele há de vir…)

Carnavalesco: João Vitor Araújo
Texto: João Gustavo Melo

Inspirado no poema “O Rei que Mora no Mar”, de Ferreira Gullar e nas 
encantarias e brasilidades de Luiz Antônio Simas.

REFERÊNCIAS:

FERRETI, Sérgio F. Encantaria maranhense de Dom Sebastião. Lisboa: 
Revista Lusófona de Estudos Culturais. Vol. 1, n.1, pp. 108-125, 2013.
GULLAR, Ferreira. O Rei que mora no mar. São Paulo: Global Editora, 2002.
MARINHO, Luisa. Desencanto. Rio de Janeiro: Funarte, 2015.
RORIZ, Aydano. O Desejado: a fascinante história de Dom Sebastião. São 
Paulo: Editora Europa, 2015.
SIMAS, Luiz Antônio. Almanaque brasilidades: um inventário do Brasil 
popular. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2018.