El Camino – últimos dias para assistir a mostra de filmes sul-americanos no CCBB Rio

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Iniciada no dia 31 de maio, a ​​Mostra “El Camino – Cinema de viagem da América do Sul” se despede do CCBB Rio de Janeiro no dia 19 de junho. Os filmes tratam do deslocamento geográfico no centro de suas narrativas. Os curadores se debruçaram sobre a produção sul americana da década de 1960 até os dias atuais e selecionaram 19 filmes, sendo 15 longas e 4 curtas, realizados em nove países: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Bolívia, Chile, Colômbia e Venezuela. A programação é inteiramente gratuita .


SOBRE A MOSTRA

A mostra se guia por um conjunto de questões. Que países são esses que vemos em tela? De que maneira esses filmes constroem imaginários que reafirmam, ou questionam, símbolos nacionais anteriores? Como apresentam novas formas de filiação entre indivíduos, coletivos e territórios? Cada obra responde a essas questões à sua maneira e o interesse da mostra está em captar tais ressonâncias. Torna-se importante dar um passo atrás, entendendo o cinema de viagem como devedor de um longo histórico em uma consolidada tradição de literatura de viagem, europeia de origem. Compartilhando com ela uma narrativa sem final definitivo, de estrutura episódica e temporalidade variável; ora cronológica, como nos travelogues, ora suspendendo a própria noção de tempo. Tanto na literatura quanto no cinema, a viagem tem o potencial de ser uma ferramenta potente de crítica social. Da forma que se concretiza nos cinemas sul americanos pós 1960, esse gênero também evidencia certa crise do que ali é próprio à era moderna e aos ideais específicos de progresso; seja pelos avanços desse modelo de desenvolvimento, seja pelos inúmeros problemas que desencadeia, da pobreza e do esquecidos na contabilização do todo enquanto estado-nação unificado.

Assim, a mostra El Camino apresentará filmes de diretores consagrados como Nelson Pereira dos Santos, Walter Lima Jr. e Helena Solberg. Alguns aclamados pela crítica e referências para estudantes de cinema, como Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e Iracema – Uma Transa Amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Filmes de gêneros distintos, indo do ficcional ao documentário, compõem um belo mosaico de possibilidades de explorar o tema “cinema de viagem”.

 

SOBRE OS CURADORES

MILENA MANFREDINI 

É cineasta, antropóloga, artista visual e curadora independente. Dirigiu e roteirizou os filmes Eu Preciso Destas Palavras Escrita (2017); Camelôs (2018); Guardião dos Caminhos (2019); Cais e Mãe Celina de Xangô (ambos em processo de finalização). Atua como curadora em mostras e festivais de cinema e é idealizadora e curadora da Mostra de Cinema Narrativas Negras, projeto voltado à pesquisa, exibição e visibilização das filmografias negras. Também exerce as funções de pesquisadora, professora e consultora no campo audiovisual.


FABIÁN NÚÑEZ 

Professor Associado do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde também é credenciado ao Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual (PPGCine). É líder do grupo de pesquisa CNPq Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA) e pesquisador membro do comitê gestor do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual (LUPA-UFF).

 

Ficha técnica

Curadoria e coordenação: Carla Italiano e Leonardo Amaral

Produção Executiva: Marisa Merlo

Empresa produtora: Anacoluto Produções


Sobre o CCBB

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro ocupa o histórico nº 66 da Rua Primeiro de Março, no centro da cidade, prédio de linhas neoclássicas que, no passado, esteve ligado às finanças e aos negócios. Sua pedra fundamental foi lançada em 1880, materializando o projeto de Francisco Joaquim Béthencourt da Silva (1831-1912), arquiteto da Casa Imperial, fundador da Sociedade Propagadora das Belas-Artes e do Liceu de Artes e Ofícios. Inaugurado como sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro, em 1906, sua rotunda abrigava o pregão da Bolsa de Fundos Públicos. Na década de 1920 passou a pertencer ao Banco do Brasil, que o reformou para abertura de sua sede. Esta função tornou o edifício emblemático no mundo financeiro nacional e duraria até 1960, quando cedeu lugar à Agência Centro do Rio de Janeiro, e depois à Agência Primeiro de Março. No final da década de 1980, resgatando o valor simbólico e arquitetônico do prédio, o Banco do Brasil decidiu pela sua preservação ao transformá-lo em um centro cultural. O projeto de adaptação preservou o requinte das colunas, dos ornamentos, do mármore que sobe do foyer pelas escadarias e retrabalhou a cúpula sobre a rotunda. Inaugurado em 12 de outubro de1989, o Centro Cultural Banco do Brasil conta com mais de 30 anos de história e celebra mais de 50 milhões de visitas ao longo de sua jornada. Juntamente com o Arquivo Histórico, Museu e Biblioteca – que possui mais de 250 mil exemplares em seu acervo, O CCBB é um marco da #interna revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro e mantém uma programação plural, regular, acessível e de qualidade. Saiba mais sobre a história do BB no Arquivo Histórico Banco do Brasil agendando sua visita pelo [email protected].

 

Serviço:

Mostra El Camino – Cinema de Viagem da América do Sul

31 de maio a 19 de junho 2023

Programação gratuita

Ingressos: disponíveis na bilheteria física e no site bb.com.br/cultura

Classificação indicativa: consultar programação 

Email: [email protected]

Site: www.anacoluto.art/elcamino


Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro, RJ
Tel: (21) 3808-2020


Redes sociais CCBB Rio de Janeiro

Instagram: @ccbbrj

Facebook: ccbb.rj

Twitter: @ccbb_rj

 

Programação – Últimos dias


Quinta 15/06

18h A Terra Prometida (120′, Miguel Littin, 1973, Chile)  | 12 anos

Filme baseado em fatos reais ocorridos no Chile nas primeiras décadas do século XX. Misturando recursos documentais e ficcionais, o longa-metragem relata as lutas camponesas no Chile, seus mitos, lendas e o estabelecimento de uma fugaz república popular.

Sexta 16/06

18h A Viagem (136′, Fernando Solanas, 1992, Argentina) | 12 anos

Longa do notório cineasta argentino Fernando Solanas, em uma incursão pelo gênero dos “road movies”. Martín, 17 anos, sai da cidade distante e fria de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em busca do seu pai, um arqueólogo que havia abandonado a sua mãe anos atrás e prometera voltar. A tensão da vida com a sua mãe e o padrasto, o fracasso de seu noivado e o desejo de encontrar o pai, bem como de descobrir o mundo, impulsionam o jovem a começar uma jornada usando o único meio disponível: sua bicicleta.

Sábado 17/06

15h Noites Paraguayas (90′, Aloysio Raulino, 1982, Brasil/Paraguai) | 14 anos

Um dos filmes de maior magnitude do cineasta e diretor de fotografia brasileiro Aloysio Raulino. O filme aborda a trajetória de imigrantes paraguaios que saem do interior do país e se dirigem a Assunção, para então chegarem a São Paulo. São trabalhadores rurais, músicos, vendedores e subempregados. A sorte que os acolhe no Brasil é variada; alguns permanecem no país, outros decidem voltar ao Paraguai e encontram um país modificado. Dois mundos paralelos: o da cultura indígena guarani e o da aventura brasileira na cidade de São Paulo.

 

17h30 A Nação Clandestina (128′, Jorge Sanjinés, 1989, Bolívia) | 12 anos

Um obra híbrida, entre ficção e documentário, realizada de maneira colaborativa entre indígenas e não-indígenas do coletivo Ukamau, com direção do boliviano Jorge Sanjinés. Situado em um contexto de regime militar na Bolívia, o filme narra a história de um rapaz que havia sido enviado para a cidade grande a fim de adquirir educação formal, e então regressa ao seu povoado com a intenção de apoiar os indígenas que lutam por direitos trabalhistas.
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=w4vX_pAy77Y&ab_channel=RetinaLatina


Domingo 18/06

15h Os Inundados (87′, Fernando Birri, 1961, Argentina) | 10 anos

Os Inundados [Los Inundados]
Um clássico do Cinema Novo argentino, dirigido pelo cineasta Fernando Birri. O filme conta a história da família Gaitán, habitante da província sulista de Santa Fé, que é forçada a viver de maneira itinerante em razão das grandes inundações que assolam o país.


17h30 Iracema – Uma Transa Amazônica (Jorge Bodanzky, Orlando Senna, 91′, 1975, Brasil) | 16 anos

Iracema é o filme pioneiro de estilo híbrido, entre ficção e documentário, que acompanha a trajetória do caminhoneiro Tião Brasil Grande pela região amazônica junto à jovem Iracema. A obra aborda o impacto causado pela construção da monumental rodovia Transamazônica nas populações ribeirinhas da selva amazônica, símbolo do ideal desenvolvimentista de nação que caracterizava aquele momento da ditadura militar brasileira.

Segunda 19/06

17h30 Vidas Secas (115’, Nelson Pereira dos Santos, 1963, Brasil) | 10 anos

Um dos trabalhos inaugurais do Cinema Novo brasileiro, baseado no romance de Graciliano Ramos e dirigido por Nelson Pereira dos Santos. O filme retrata a vida de uma família marcada pela fome no sertão nordestino. A história tem como foco Fabiano, sua esposa Sinhá Vitória, os dois meninos e o cachorro baleia, enquanto se deslocam em busca de um trabalho que lhes permita sobreviver em meio a um contexto implacável.
Trecho do filme: https://www.youtube.com/watch?v=ENcTNLbGCSE