Fusões Brasil-África: Mandinga Beat lança o single “Jogando Vem”

0
270

O que acontece quando o pagodão baiano se encontra com o funk carioca e temperos da fusão Brasil-África? Essa reunião de ritmos é a proposta do Mandinga Beat, coletivo criado pelo guitarrista, cantor e produtor musical André Sampaio e o DJ, beatmaker e produtor musical angolano Joss Dee, em seu novo single, “Jogando Vem”, com colaboração de Lelekito e Tiago THC. 

A novidade, que chega às plataformas digitais, segue o propósito do coletivo de promover uma viagem entre Brasil e África por meio da fusão de ritmos brasileiros e africanos em diálogo com a música diaspórica contemporânea. A sua sonoridade tem raízes nos encontros e intercâmbios culturais em viagens ao Mali, Burkina Faso, Moçambique, México, Europa, Angola e Brasil, num grande encontro de sons periféricos no qual beat é a chave. 

– A parceria com Lelekito e THC começou a nascer por meio do grafiteiro Toz Viana, do projeto “PAZ”, parceiro do Instituto Mandinga, nosso projeto social, que nos conectou. A partir daí, participei de uma música do EP deles, “Pagodão Carioca”, e depois começamos a produzir a nossa. O Joss chegou e trouxe suas referências e alinhou com as deles, do pagodão, das fusões Brasil-África e a pegada do funk mais atual – conta André Sampaio.

 

Som periférico, entre o ancestral e o contemporâneo 

O Mandinga Beat é um coletivo que nasce do encontro entre André Sampaio, que mergulhou fundo nas guitarras do oeste africano em contato com as musicalidades da diáspora, e Joss Dee, que traz consigo os afrobeats, afro house, kuduro e outros gêneros eletrônicos africanos. A dupla expande horizontes ao aprofundar o diálogo entre ancestralidades e contemporaneidades com novas fusões musicais entre África e Brasil aliadas a cantores, produtores e músicos que trazem outras pontes com ritmos periféricos e de matriz africana. 

Desses encontros brotam fortes riffs de guitarra de diversos estilos africanos, passando pelos ijexás e bebendo também do funk rock norte-americano. Cantigas tradicionais, rap e canções costuram a poética que aborda assuntos desde ancestralidade até críticas sociais, sempre buscando uma mensagem positiva e de superação das dificuldades. Dos berimbaus, passando pelos tambores do candomblé, do caribe e até do coco nordestino – o groove dos afrobeats faz a ponte entre os ritmos modernos de África e o funk, samba-rock e outros gêneros do Rio de Janeiro. Tudo isso envolvido por uma atmosfera dub/reggae aditivado por beats e timbres eletrônicos que levam o som do grupo para um contexto urbano e contemporâneo.

O single inicia uma série de lançamentos até o EP “Mandinga Beat”, previsto para o segundo semestre. Todas as novidades serão apresentadas no show “Mandinga Beat – Live PA”, que também conta com versões para hits e clássicos do reggae, samba, afrobeats, músicas dos trabalhos solo de André Sampaio, Joss Dee e dos demais membros do coletivo. 

O espetáculo é formado por André Sampaio na guitarra e voz, Joss Dee nas bases e beats eletrônicos e Jander Magalhães na percussão. Em muitas das apresentações, cantores e artistas que colaboram com o coletivo fazem participações especiais e tornam o show um grande encontro em formato Sound System. O formato Live PA é um rico caleidoscópio de influências e musicalidades de matrizes africanas contemporâneas e ancestrais em uma atmosfera futurista e feita para a pista de dança.  

– Trata-se de um baile de fusão afro-contemporânea que não deixa ninguém parado. É música para dançar, expandir a consciência e conectar pessoas de todo o mundo – explica Joss. 

Para conferir o lançamento, acesse https://bfan.link/jogando-vem 

Rede social: https://www.instagram.com/mandingabeat/

 

André Sampaio 

André Sampaio é guitarrista, cantor, compositor e produtor musical com mais de 22 anos de carreira. Concentra sua criação e pesquisa na fusão de ritmos e tradições musicais africanas e afro-brasileiras, tendo realizado viagens à África (Mali, Burkina Faso e Moçambique), Europa e México aonde suas pesquisas se aprofundaram através de intercâmbios culturais e produções artísticas. Soma à essa bagagem, suas vivencias na cultura afro-brasileira enquanto Ogan Alagbe (guardião da música sagrada) do Ile Omiojuaro (RJ) da grande Iyalorixá Mãe Beata de Iyemanjá (em memória) e como Treinel (professor) do grupo Aluande Capoeira Angola de Mestre Célio Gomes. É também bacharel em Ciências Sociais – Produção e Política Cultural pela UCAM/IUPERJ. 

É conhecido também por ter sido fundador e integrante da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, com a qual gravou quatro álbuns e um DVD. Com seu primeiro álbum solo, “Desaguou”, alcançou grande repercussão internacional, com cinco faixas sendo relançadas em coletâneas europeias (Farout, Paris DJs, MaisUmDiscos, BBE e Kafundó Records) e com disco de remixes lançado pelo Digital Dubs com participação de mestres jamaicanos. “Alagbe” (2017), segundo disco solo, ficou em 1o lugar no Top Tem da WRIR ́s Radio de Boston/USA e teve seu review em destaque na edição de abril/2019 da Songlines Magazine – principal revista impressa dedicada à World Music no mundo. 

Recentemente, produziu a trilha sonora original das exposições “Povo Insônia” e “Cultura Insônia” do artista plástico e grafiteiro TOZ; produziu a trilha sonora original do espetáculo teatral “Amável Donzela” – inspirado no poema “Navio Negreiro” de Castro Alves – e também a preparação musical do espetáculo “Áurea, a Lei da Velha Senhora”, ambos da Cia Banquete Cultural; assinou a direção musical do leitura dramatizada de “zungu.edu.br” de Rodrigo do Santos; produziu o disco da banda Galanga (Ouro preto/MG); lançou seu primeiro álbum solo “Desaguou” (2013), produzido por ele durante intercâmbios no Mali, Burkina Faso, Moçambique, Portugal e Olinda; em 2009 atuou como ensaiador do espetáculo “Marias Brasilianas – A Arte do Fiar” da Cia Cirandeira/ Instituto de Arte TEAR (direção de Mabel Botelli e Wilson Belém); produziu o disco “Reggae a Vida com Amor”(2003) da banda Ponto de Equilíbrio; gravou com artistas como Vieux Farka Toure (Mali), Bassekou Kouyate (Mali), BNegão, Don Carlos (Jamaica), The Congos (Jamaica), Marcelo D2, Hyldon, Marcelinho Da Lua e Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), entre outros. 

Na edição 146 de abril de 2019 da Songlines Magazine/UK, o segundo álbum de André Sampaio, “Alagbe”, teve este review: “… É o que André Sampaio vem fazendo há dez anos, dedicando-se à tradição afro-brasileira do candomblé e fazendo viagens para Mali e Burkina Faso onde passou algum tempo com Vieux Farka Touré, Toumani Diabate entre outros. Essas experiências foram filtradas em seu segundo álbum Alagbe, uma boa dose de Afro-rock que pega os grooves afiados do The Funkees, mas os atualiza para o século 21. (…) Lá, as letras inspiradas no Candomblé (que incluem Vocabulário iorubá, como o título do álbum) ecos da Jamaica (Sampaio também é um devoto do dub-reggae) e a faixa em inglês “Stop Fighting Immigrants” marcam a visão de mundo de Sampaio, centrada em África, mas com grande alcance”

 

Joss Dee 

Josemar Quinguaia, conhecido artisticamente por Joss Dee é um Dj e produtor musical africano, proveniente de Angola, reside no Brasil há 9 anos. Joss atua como DJ na cena a 6 anos, como produtor musical e beatmaker ja produz desde 2010. A mistura de gêneros musicais africanos como Afrobeats, Afrohouse, Amapiano, Kuduro aos ritmos brasileiros e de outras origens como o Funk, Samba, Trap e Drill marcam fortemente a estética musical do DJ. 

Atualmente Joss Dee desenvolve diversos trabalhos dentro do ciclo artístico brasileiro, em 2022 ingressou como membro da academia do Prêmio Multishow, participou da residência artística “Estude o Funk” (2022), se apresentou como mentor e palestrante na imersão artística “A Terra do Rap” (2022) e realizou recentemente uma curta temporada de shows no SESC Avenida Paulista. No início de 2023, ele ingressou no coletivo Mandinga Beat. Lançou em junho de 2023 o remix de “Banho de Folhas”, da cantora Luedji Luna, o qual alcançou 3º lugar no Beatport, maior site especializado em música eletrônica do mundo. 

Joss Dee acumulou ao longo dos anos presença em espaços e festivais importantes, como “Festlip”, “Festival Latinidades”, “Back2Black”, “Festival Holos”, “Kilariô”, SESC Avenida Paulista, Circo Voador, Okupiluka, além de ter partilhado o palco com artistas como Erykah Badu, Xamã e Djonga.