Com mais casos de nova variante, cidade do Rio se mantém em risco alto

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A Prefeitura do Rio divulgou nesta sexta-feira (26/02), no Centro de Operações Rio (COR), na Cidade Nova, a oitava edição do Boletim Epidemiológico da Covid-19, que mostrou a melhora em mais três regiões da cidade e, com isso, 30 das 33 Regiões Administrativas (RAs) já poderiam estar classificadas em risco moderado. Mas, apesar da melhora nos números de internações e óbitos pela doença, o Centro de Operações de Emergências – COE COVID-19 RIO optou por manter o município em risco alto, por causa da confirmação de mais três casos da variante de Manaus/AM (P1) na cidade.

– Com a possibilidade dessas novas variantes, decidimos manter o risco alto, com restrições para toda a cidade. A gente não pode afrouxar, se tranquilizar neste momento. São positivos os dados apresentados. Ou seja, diminuíram óbitos, internações, tudo está caminhando bem, mas a realidade que vemos no Brasil é muito complexa. A chance (de as variantes) chegar no Rio não é pequena, tem uma chance grande – disse Paes.

Em reunião na segunda-feira, o Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 já havia ratificado a decisão tomada na semana anterior pela Prefeitura do Rio, de manter a análise de risco da cidade na faixa laranja (risco alto). Isso porque no sétimo Boletim Epidemiológico da Covid-19 o cenário já havia apresentado melhora significativa, com 27 RAs passando para risco moderado, mas os primeiros casos de novas variantes haviam acabado de ser detectados na cidade, e também em outros municípios da Região Metropolitana do Estado.

Os três novos casos da variante P1 foram identificados em duas mulheres moradoras do Recreio (71 anos) e de Parque Anchieta (21) que já estão curadas, e em um homem de 54 anos que residia no Centro e morreu em 21 de fevereiro, no Hospital Egas Moniz, da rede particular, no mesmo bairro. Todos eles tinham históricos de viagens recentes, dois deles a Manaus e um a São Gabriel da Cachoeira, também no estado do Amazonas. Os três apresentaram os primeiros sintomas em janeiro, pouco depois de retornarem à cidade.

Com esses três, já são sete os casos de novas variantes identificados em pacientes na Capital: seis da P1 e um da B.1.1.7, de origem britânica. Os pacientes anteriormente identificados são uma mulher de 36 anos da Freguesia, um homem de 40 de Laranjeiras e outro de 30, de Copacabana, nenhum deles com histórico de viagem e, por isso, considerados casos autóctones, ou seja, contraíram o vírus aqui. O outro paciente era morador de Manaus, de 46 anos, que havia sido transferido no início de fevereiro para a cidade e estava internado no Hospital Federal dos Servidores do Estado, quando morreu, na noite da quinta-feira passada (18/02).

Paes ainda comentou sobre a pressão que tem sofrido para que medidas mais enérgicas sejam tomadas. E frisou que suas decisões continuaram a ser embasadas de acordo com os critérios científicos.

– Existe uma pressão, às vezes, de uma parte da sociedade: por que não faz logo um lockdown? Tomamos decisões baseadas em dados, em ciência, que nos mostram que não há necessidade disso agora. Se houver, a gente faz, não tem problema. Não faremos com prazer, mas, se tiver, faremos o que for preciso. Não é uma decisão política nem um jogo de disputa. Os dados que temos hoje são positivos. Não quer dizer que amanhã não possa piorar. Vamos usar máscara, manter distanciamento social e evitar aglomerações – disse o prefeito.

Em relação ao boletim da semana passada, o novo documento mostrou que as RAs da Tijuca (VIII), Vila Isabel (IX) e Barra da Tijuca (XXIV) foram as que saíram da faixa de risco alto para moderado. Já as RAs de Copacabana (V), Lagoa (VI) e Rocinha (XXVII) permaneçam no alto.

O Rio de Janeiro totalizou 206.149 casos da doença desde o início da pandemia, com 18.762 óbitos. A taxa de mortalidade em 2021 está em 16,4/100 mil habitantes e a letalidade, em 7%. No ano passado, esses indicadores estavam, respectivamente, em 265,3/100 mil e 9,3%. Para os moradores das localidades que ainda estão na faixa de risco alto, o prefeito da capital mandou um recado:

– Atenção aglomerados na Zona Sul. Fiquem espertos. Não arrisquem a vida dos seus entes queridos – ressaltou o prefeito.

Leitos ocupados

Até a noite de quinta-feira, a cidade tinha 892 pacientes internados por Covid-19 em unidades de referência para a doença e a fila de espera por leito especializado seguiu zerada. A taxa de ocupação de leitos está em 57%, ou 75% considerando apenas os leitos operacionais (sem contar os temporariamente impedidos).

Retomada do calendário de vacinação

Com o repasse de 105 mil doses das vacinas contra o coronavírus, 84 mil da Oxford/AztraZeneca e 21 mil da CoronaVac, a Secretaria Municipal de Saúde pôde retomar esta semana o calendário de vacinação. Mas a quantidade recebida só deverá cobrir as faixas etárias de 80 a 82 anos, cuja população estimada na Capital é de cerca de 100 mil pessoas. Desta forma, retomando o calendário de onde havia parado, foram vacinados na quinta-feira (25) os idosos de 82 anos; nesta sexta serão os de 81 e neste sábado, os de 80 anos, sendo feita também neste dia a repescagem para os que tiverem acima dessa idade, mas perderam seu dia de vacinação.

Neste sábado, excepcionalmente, as unidades de Atenção Primária funcionarão das 8h às 17h para a vacinação dos idosos, assim como os pontos extras do Planetário da Gávea, do Museu da República, no Catete, e a Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Leme. Haverá ainda nove postos no sistema drive-thru, oito deles funcionando das 8h às 15 (Cidade Universitária, na Ilha do Fundão; CMS Belizário Penna, em Campo Grande; CMS Manoel Guilherme da Silveira, em Bangu; Parque Madureira; Parque Olímpico, na Barra da Tijuca; Policlínica Lincoln de Freitas Filho, em Santa Cruz; Sambódromo; Campus da UFRJ na Praia Vermelha) e um, o do Estádio do Engenhão, das 8h às 14h.

A SMS aguardará os próximos cronogramas de remessas de vacinas pelo Ministério da Saúde, incluindo a informação sobre as quantidades de doses garantidas, para planejar a continuidade do calendário de vacinação. Todas as 105 mil doses recebidas esta semana serão usadas na vacinação da primeira dose. A Secretaria de Estado de Saúde mantém em seu depósito reserva de doses da CoronaVac, que serão enviadas posteriormente aos municípios fluminenses, incluindo a Capital, destinadas para a segunda dose.

Até esta quinta-feira, dia 25, o Município do Rio já havia vacinado 300.113 pessoas com a primeira dose, cerca de 25 mil somente neste primeiro dia de retomada da campanha. Isso representa 4,45% da população. Somente de idosos restritos ao domicílio, que são vacinados em casa, as equipes de saúde atenderam 14.171 até o momento. A segunda dose da vacina já foi aplicada em 77.337 pessoas dos primeiros grupos contemplados no início da campanha, formados por profissionais de saúde da linha de frente, das unidades de Atenção Primária envolvidos na vacinação, com mais de 60 anos ou comorbidades e que poderão voltar ao trabalho nos hospitais após a vacinação, além de idosos que vivem em asilos, pessoas com deficiência institucionalizadas, indígenas aldeados e quilombolas.

Para saber quando deverão tomar a segunda dose, as pessoas precisam verificar no comprovante de vacinação da primeira. A data do retorno é anotada a lápis pelas equipes de vacinação e a SMS pede que, preferencialmente, as pessoas voltem para se vacinar no mesmo posto em que tomou a primeira dose. É importante prestar atenção à data anotada, porque o intervalo entre as duas doses é diferente para cada tipo do imunizante. Quem tomou a CoronaVac deve receber a segunda dose em torno de 28 dias. Quem se vacinou com a Oxford/AstraZeneca, apenas 12 semanas depois, ou seja, cerca de três meses.

– O comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 publicou uma regra que vale tanto para o retorno ao trabalho dos profissionais (da saúde) com mais de 60 anos quanto para as pessoas em geral. Quem tomar a Coronavac, 14 dias após a segunda dose já está imunizado. Já quem for vacinado com a AstraZeneca, 28 dias depois da primeira dose – afirmou o secretário de Saúde, Daniel Soranz.

A Secretaria Municipal de Saúde preza pela transparência e reforçou a orientação para as equipes mostrarem todo o processo de aplicação da vacina para os usuários. Fotos e vídeos do momento da aplicação são liberados e recomendados. Em caso de quaisquer dúvidas, as famílias devem solicitar esclarecimento aos profissionais imediatamente. Todos os casos em que forem levantadas dúvidas sobre a aplicação da vacina serão devidamente apurados e, caso constatada qualquer inadequação, as medidas cabíveis serão tomadas.

Cuidados básicos e fiscalizações

A Secretaria Municipal de Saúde mantém intensificadas as ações de rastreamento de contatos e de testagem, para bloquear as cadeias de contágio dos casos de covid-19 e prevenir a possível proliferação do vírus e suas variantes. É imprescindível que a população colabore seguindo os cuidados básicos de prevenção: uso de máscara, higienização das mãos com álcool 70% e distanciamento social. Deve também respeitar as medidas restritivas de proteção à vida para a faixa de risco alto. As informações e orientações estão disponíveis no site https://coronavirus.rio, onde pode ser baixado o “Guia de medidas de proteção à vida”.

As ações de fiscalização na cidade também foram intensificadas para garantir que as normas restritivas de proteção à vida sejam cumpridas. Ações integradas desde o dia 15 de janeiro entre a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), o Instituto de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio), a Guarda Municipal e a Defesa Civil já passaram por 58 bairros, contabilizando 655 inspeções em estabelecimentos, 397 infrações sanitárias e 93 interdições.