Eduardo Neiva lança “Corações Gentis: seis histórias de amor”, pela editora Lacre

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Quando jovem, Eduardo Neiva pensava prioritariamente em duas coisas: letras de rock e livros de literatura e filosofia. Até que se viu em uma encruzilhada, comum da idade: ou tomava rumo na vida ou o pai o expulsava de casa. Foi assim que entrou em contato com o ofício de professor e se apaixonou pelas letras. Quem ganhou foram os alunos de comunicação da PUC, FACHA, UFF e UERJ, que o tiveram como mestre aqui no Brasil, e os estudantes americanos da University of Alabama at Birmingham, onde é Emeritus Professor de estudos da comunicação no College of Arts and Science. Ao longo da carreira acadêmica, publicou 16 livros sobre comunicação – editados em várias línguas, incluindo mandarim – e a ficção “As sapatilhas de Satã”, de 1986, em que aborda o universo de Freud, entre outros autores, e substâncias como a cocaína. Agora, 37 anos depois, Neiva apresenta sua segunda obra ficcional: Corações Gentis: seis histórias de amor. O lançamento será dia 9 de agosto, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon, pela editora Lacre. 

Defendendo a teoria de que “não existe literatura nacional, com fronteiras, toda literatura é mundial”, Neiva apresenta neste novo trabalho seis contos que narram diferentes experiências do amor. O prefácio é assinado pelo sociólogo e professor Muniz Sodré. Foi ele quem encorajou o autor a começar a escrever contos. “Era um exercício meticuloso, todo dia eu escrevia e reescrevia, inicialmente em inglês. Depois, selecionei, junto com o editor de texto Gustavo Barbosa os seis que mais se destacavam”, explica Neiva.

Conforme comenta no posfácio o semioticista Claudio Correia, professor associado da Universidade Federal de Sergipe – UFS, o amor descrito no livro não é oriundo dos afetos e desejos, mas de uma experiência que foi aberta, pela primeira vez, por Dante Alighieri (1265-1321), em sua obra La Vita Nuova. Eduardo Neiva se inspira no autor de A Divina Comédia para buscar o nome da obra.

O livro começa com “Cartas de um peixe de aquário”. Ali, esquecimento e solidão são a espinha dorsal de um relato emoldurado por um amor platônico e por uma obsessão voyeurística. Em “Certa vez, um lobisomem”, segundo conto, entra em cena o retrato das frustrações humanas, especificamente nas relações entre casais, representadas por um casamento congelado pelas regras, sob um céu escuro, sem lua e sem estrelas. Já em “Corpo de delito”, Eduardo Neiva modifica as estruturas da narrativa policial colocando o narrador como um observador dos processos de análise utilizados em uma ocorrência policial.

No conto “Azul de cemitério”, a capacidade descritiva do autor chega ao ápice, criando um cenário de melancolias que rasgam a razão, deixando à mostra um esqueleto de lembranças, sofrimentos e pesar. “Os deuses estão na cozinha” começa com um evento gastronômico sendo arruinado por uma tempestade de dimensões imprevisíveis. O livro encerra com o conto “Cegueira”, que convida os leitores, segundo Correia, a entrar na escuridão das memórias, do esquecimento e da indiferença. A personagem principal atravessa o escuro, como um ser invisível, para chegar ao seu objetivo: o negrume de suas lembranças.

Os textos se intercalam com abordagens ora racionais, ricas em detalhes, ora oníricas e poéticas. Em alguns momentos, o autor passeia por temas como a morte, o vazio, o desamor; em outros, coloca as mulheres à frente da narrativa, dando-lhes um peso mais forte e emocional. Sem se preocupar com isso, Neiva arrisca: “Eu quero a liberdade de entrar em qualquer assunto. A imaginação é libertadora.”

 

Sobre o autor

Nascido no Piauí, em 1950, Eduardo Neiva veio de Teresina, passou por Salvador e chegou ao Rio de Janeiro com 5 anos de idade. Formado em Comunicação pela PUC-Rio e em Typographic Design pela Camberwell School of Arts and Crafts em Londres, ele fez mestrado e doutorado pela Eco-UFRJ. Como professor, Neiva lecionou na UFF, UERJ, PUC-RJ e FACHA, e foi diretor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio e da FACHA. Recebeu uma bolsa de mérito da Fulbright para residir na Indiana University, nos EUA, no início dos anos 1990, onde permaneceu por um ano. Depois foi convidado para lecionar na University of Alabama at Birmingham, onde hoje é professor emérito. 

Neiva escreveu e publicou 16 livros em português e inglês, entre eles Communication Games, que foi traduzido para o mandarim. Seus inúmeros artigos foram vertidos da língua inglesa para o português, espanhol, francês, italiano e japonês. Lexicógrafo, é autor do Dicionário Houaiss de Comunicação e Multimídia. Entre as obras de ficção estão Sapatilhas de Satã (1986) e Corações Gentis: Seis Histórias de Amor.

 

CORAÇÕES GENTIS: SEIS HISTÓRIAS DE AMOR

AUTOR: EDUARDO NEIVA

EDITORA LACRE

164 PÁGINAS

ISBN  978-65-89884-20-0

R$ 55,00

LANÇAMENTO

DIA 9/8 – QUARTA-FEIRA – A PARTIR DAS 19 H

LIVRARIA TRAVESSA LEBLON – SHOPPING LEBLON – 2º PISO