Saúde revela perfil de comorbidade por doenças crônicas

0
132

Doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e asma são os problemas crônicos de saúde mais associados a notificações, internações, ocupação de leitos de UTI e óbitos por Covid-19 no estado do Rio de Janeiro. A informação é divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), por meio do relatório “A pandemia de Covid-19 e as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)”, publicado nesta sexta-feira, 03 de julho. O documento foi produzido a partir do sistema de vigilância epidemiológica das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), que registra todos os casos vinculados às SRAG, inclusive os de Covid-19. Foram analisados dados referentes ao período de 1º de janeiro a 11 de maio de 2020, com classificação final para a doença causada pelo novo coronavírus.

– As doenças crônicas não transmissíveis, que já são reconhecidas como um dos maiores desafios à saúde pública em todo o mundo, tornam-se ainda mais importantes no contexto da pandemia pelo novo coronavírus, pois estão relacionadas ao agravamento da Covid-19 – afirma Eralda Ferreira, coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde da SES-RJ. De acordo com a pasta, em 2019, as DCNT foram responsáveis por mais de 30 mil mortes prematuras – pessoas com idades entre 30 e 69 anos – no estado do Rio de Janeiro, uma média de 90 óbitos por dia. Agora, devido à relação dessas enfermidades com as complicações da Covid-19, esses números devem aumentar.

Eralda ressalta que a Covid-19 tem muitos fatores de risco em comum com as doenças crônicas não transmissíveis, como o tabagismo, o sedentarismo e a alimentação inadequada.

– De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, mais de 1,6 milhão de pessoas no estado são fumantes diárias de tabaco, um hábito que compromete a capacidade pulmonar e pode levar ao desenvolvimento de sintomas mais graves de Covid-19, além de outras doenças, como o câncer – informa a coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde da SES-RJ. O relatório aponta que, para mudar esse quadro, mais de 70% dos 92 municípios fluminenses mantêm ativo o seu Programa Municipal de Controle do Tabagismo, que promove gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento para quem deseja parar de fumar.

O documento também avalia o perfil alimentar da população fluminense, por meio de números do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), e mostra o consumo elevado de alimentos não saudáveis – processados e ultraprocessados – em todas as faixas etárias. De acordo com a especialista da SES-RJ, este é um ponto de atenção, pois uma dieta rica em produtos industrializados tende a levar à obesidade, condição que é apontada por diversos estudos como um dos fatores de risco para a forma mais grave da Covid-19, inclusive em pessoas mais jovens. No estado do Rio de Janeiro, o maior percentual de óbitos por Covid-19 relacionados ao excesso de peso foi registrado em menores de 60 anos.

– É preciso estar atento aos modos de vida e cultivar hábitos que favorecem a saúde: adotar uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras; praticar exercícios físicos regularmente; manter uma rotina adequada de sono, não fumar, não consumir álcool em excesso. Esses cuidados ajudam a fortalecer a imunidade e a nos proteger da Covid-19 e das doenças crônicas não transmissíveis, como problemas cardiovasculares, diabetes, obesidade e asma – orienta Eralda.

Acesse o relatório “A pandemia de Covid-19 e as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)”: https://www.saude.rj.gov.br/comum/code/MostrarArquivo.php?C=MzI0NDA%2C